quarta-feira, 1 de junho de 2011

Estamira (2006)





Há muito tempo, eu queria falar desse filme. Estamira é um documentário brasileiro sensacional, que trata de um dos temas mais interessantes que eu tenho estudado. Foi um filme polêmico, muito criticado quanto à ética, por ter como protagonista uma esquizofrênica e expor sua vida para o mundo. Isso é algo de que eu discordo totalmente, porque, antes de ser um filme que trata de um doente, é um filme que trata da forma mais respeitosa possível um assunto que é bem mitificado pelos filmes de terror da atualidade. O fascínio das pessoas pela esquizofrenia se dá de forma negativa, porque acham o máximo ver reproduzidas as visões paranóicas, os pesadelos, a violência do tratamento com eletrochoques, mas, da doença em si, da informação a respeito dela, e, principalmente, da ética médica atual para tratá-la, poucos sabem. O esquizofrênico, vulgo, louco, é marginalizado. Ele não desperta sensibilização dos outros e quem assiste "Estamira" não tem como não se emocionar com a retratação (a fotografia do filme é sensacional) do drama da protagonista.

Estamira era uma mulher religiosa que se casou duas vezes e teve três filhos. Ambos os homens que teve não a respeitavam como mulher. E, após a morte do seu segundo marido, um italiano, ela começou a questionar a vida, Deus, e o desrespeito que os homens têm entre si, a partir de sucessivos atos de violência pelos quais passou. Você vê sofrimento na forma dela se expressar e do quanto ela vê como ridícula a submissão do homem, tão esperto e astuto, a um Deus, que mais parece o trocadilo, a inversão dos seus próprios valores usada para domesticar, escravizar e abdicar da sua condição de ser pensante e tão superior aos outros animais.

Depois de ter sido internada num manicômio, ela teve que se submeter às medicações. E ela morre de vergonha disso porque é algo a que ela se obriga, ela se vê dominada pelos cientistas, que só copiam, só aplicam o que lhes é ensinado. Ela não vê sentimento ,nem fé nas pessoas.Ela viu que sua vida não tinha sentido, se refez, e durante todo filme discorre sobre isso: do abandono por parte da família; das escolhas que fizeram por ela.; do lixão de Caxias, de onde ela tira seu sustento.

Há metáforas geniais, o discurso dela em si é fascinante. E, principalmente, durante todo o ano em que ela foi filmada, são registrados os efeitos da medicação e do tratamento psiquiátrico. Esquizofrenia é uma doença incurável e crônica. Estamira não vai ser igual aos outros, então, ela se reafirma em si própria.


Eu separei algumas frases do filme pra deixar registrado.


"Sou Estamira, FORMATO HOMEM PAR. As mães são par, impar são os pais. Os homens. Vocês."

"Sou ser Consciente lúcido, ciente e sentimento."

"Eu transbordei de ficar invisivel com tanta hipocrisia e perversidade. Com tanto trocadilo. A culpa é do hipocrita mentiroso, esperto ao contrario."

"Vocês não aprendem na escola. Copiam, aprendem com as concorrências. Tenho neto de 2 anos que já sabe disso que não foi na escola copiar mentiras e charlatagens."

"O tal do diazepan, então, se eu beber diazepan, eu, que sou louca, se eu beber, fico mais louca. Só copiam. Ela falou que se deus livrasse ela, o trocadilo é ela!"

"Cometa sgnifica comandante natural."

"Tudo aquilo que é imaginario existe e é e tem? Pois é. Nunca tive aquilo que eu sou: sorte boa."

Ela falando do lixão: "Isso é deposito de restos. As vezes também é descuido: resto e descuido. Quem revelou o homem como unico condicional, ensinou-o a conservar as coisas, que é proteger, lavar, limpar e usar mais o quanto pode.

Você tem sua camisa. Você esta vestido, está suado. Você não vai jogar sua camisa fora, não pdoe fazer isso. Quem revelou o homem como unico condicional não ensinou a trair , humilhar, não ensinou tirar. Ensinou a ajudar."

"Economizar émaravilhoso.Quem economiza, tem. O trocadilo fez as coisas de uma tal maneira que, quanto menos elas têm, mais elas menosprezam. MAIS ELES JOGAM FORA."

"Eu, Estamira, sou a visão de cada um. Ninguém pode viver sem mim. Eu me sinto orgulho e tristeza por isso."


Parabéns, Marcos Prado.

Falácias

Detesto discursozinhos retóricos. Acho que você pode ter a opinião que for, mas desde que seja coerente com o que você pensa, não adaptada aos discursos dos dos outros que você defende. Sou advogado. Isto está no meu sangue, então, vai ser meramente institivo analisar o discurso de alguém e pescar a originalidade dos pensamentos. Eu vejo isso no Bolsonaro, não vejo no seu opositor Jean. Detesto o termo heteronormatividade. Detesto reducionismos com base em estereotipização da oposição.

Basear-se em direitos humanos é algo extremamente complicado porque sempre que você os invoca, você vai defender uma relativização e, para a democracia, isso só é relevante a partir da análise imparcial e neutra. Não dá pra você gritar que seus direitos humanos são ofendidos e querer que o Estado compre suas idéias e as coloque num patamar acima dos direitos da maioria das pessoas. Direitos de natureza diferentes. E isso nos argumentos ad hominem está sempre fundamentado em dados estatísticos que a minoria vai dizer que se dá por falta de informação. Odeio empirismos em discussões porque dão sempre margem a discursos falaciosos. A pessoa se dá autoridade pra impor porque contra fatos, não há argumentos e a gente fica naquela velha história de se perder tempo com uma coisa que não está aberta à discussão.

Na faculdade, tive uma professora, chamada Maria Arair, que disse uma das coisas mais relevantes da minha vida:"se você não está aberto a mudar sua opinião, nem comece o discurso". E é assim que eu vejo os anseios políticos das frentes pró-minorias. Não são discutíveis, porque são levados a status de urgência. Não há democracia aí. Isso só comprova a teoria furada dos direitos humanos usados em vão pra relativizar interesses privados. Liberdade num estado democrático é ilusão porque democracia é uma palavra feia, que gera palavras feias. E uma palavra que certamente não rima com ela é respeito.

E o Jean Wyllys me incomoda porque ele é uma farsa. A causa que ele defende é ele mesmo. O seu recalque de não ser unanimidade em reconhecimento. Ele é uma pessoa que pensa ter nascido pra receber aplausos porque ganhou Big Brother. Ele dá "sustentação" à sua luta porque recebeu ameaças de morte pelo twitter. E ele está na câara, apesar dos 13 mil votos, por causa do Chico Alencar, mas quer fazer diferença, mesmo que a sua existência como deputado não esteja relacionada à representatividade.

Não vou postar a entrevista dele na Marília Gabriela, porque este assunto se encerrou com o pronunciamento da Dilma semana passada. Só isso.