sábado, 31 de outubro de 2009

Monkey see, monkey do

Todo mundo sabe o que é bully. E sempre existe aquela pessoa que tem a fama e não se importa, e tem os que sofrem e os que gostam mesmo de esculachar. Geralmente, quem ofende não se dá conta do estrago que está fazendo, e, muitas vezes, nem se importa, porque segue a psicologia das massas.

O que aconteceu à moça da UNIBAN não é nenhuma novidade. Amplitude da baderna só foi maior porque postaram no youtube. Sempre existe a puta da escola ou da faculdade, só que os deboches se davam dentro do ambiente. Nunca fora exteriorizado. Hoje não. Com a internet, simplesmente, não há mais garantia do direito individual, o que se faz em público , se torna público. Aconteceu com a namorada do Pedro, aconteceu à moça da Uniban.

O que se tem visto hoje em dia, é a falta de maturidade das pessoas e a prevalência do individual, seja na política das minorias, que envolvem identidade e valores morais, seja no próprio conceito de si mesmo, a ponto de a intolerância não partir apenas do ser, mas da afetação que se tem perante outros. Na verdade todo mundo, de certa forma, é restrito dentro do que se manifesta perante a sociedade. Da cessão ao sistema, como dito no post da Macabea. O diferente, muito menor, precisa ser atacado e o bully, muitas vezes, vem disso aí, da uniformidade. As pessoas nunca se sentem felizes com a uniformidade porque remete à mediocridade. Medíocre, vem de médio e o ser humano, por si,naturalmente, quer se destacar. E isso independe do fato de a moça da Uniban ser pobre, mas de não se limitar a isso. Não pode uma pobre se achar gostosa e usar vestidinhos curtos.

Veja bem: a menina tinha fama de puta, se vestia de forma ousada, não se importava com isso. Todo mundo a pressionava, xingando-a, rejeitando-a, mas sempre dentro de um limite. Ela não se afetava - como não se afeta, porque ela pretende voltar pra faculdade-.Então, obviamente, a mediocridade tenta repelir com o estardalhaço. Com certeza, ela não é mais puta que muita menina que a xingou, mas ela, com certeza,chamava mais a atenção.Ainda mais agora, que o Brasil inteiro conhece pelo menos o vestido.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Em Paris (2006) Spoilers





Uma vez eu vi uma frase que dizia que ser amigo é querer fazer parte da felicidade do outro. Claro que é incompleta, porque, por muitas vezes, também é fazer parte da tristeza também. Só que é a parte ruim e que ninguém quer fazer. E sobre isso que trata "Em Paris". E que também é tratado em "Não amarás" e "Pai e Filho", filmes do Kieslowski e do Sokurov que eu já comentei aqui.

Paul é a personagem triste. Ele está recém-separado da mulher, Anna, que termina o relacionamento com ele. Ele a amava, ela sabia. Ele percebe que não é mais amado* e tenta ferí-la, mas não consegue porque ela não o ama (mais?)**. E nas relações amorosas, existe o conquistador e o conquistado: aquele que deseja ser amado e aquele que ama. Não necessariamente se correspondem, como é o caso do filme, e aquele que sofre, é o que ama de verdade. E se torna vazio por dar tudo de si ao outro. É este o significado da tristeza que o filme quer dar: momento de recuperação da dignidade. Tal como a dignidade, tristeza faz parte do ser humano como a cor da pupila faz parte do olho.

Jonanthan é o irmão de Paul. Ele é a pessoa que tenta tirar o irmão da depressão. Função esta que o pai lhe delega. E qual a forma que ele encontra pra isso? Demonstrar que a vida é bela e dá suas três trepadas no mesmo dia, enquanto "espera" o irmão encontrá-lo. O inverso do que se deveria fazer. Um amigo quer tomar parte da felicidade, mas da tristeza, que tome um psicologo. Por subestimarmos a tristeza dos outros, não nos é cabível que alguém possa sofrer, por isso, ignoramos e não queremos tomar parte. Não é conveniente compartilhar a tristeza como é compartilhar a felicidade. Da mesma forma que a tristeza é sua parte, você nunca vai saber o que o outro passa, se não se por no lugar dele. Jonanthan narra o filme e ele também percebe ,no final, o que o irmão sente,*** porque é o momento em que ele, de fato, se põe no lugar do irmão. Até então, ele procurava demonstrar o quanto lhe parecia ridículo o sentimento de resgate da dignidade do irmão por si só.

O filme é redundante em diversas situações e demonstra claramente todos os lados. Não toca da mesma forma que o "Não Amarás" (que tem a cena mais bonita que eu já presenciei no cinema) que é o melhor filme sobre amor já feito. E tem a cena final em que é cantada uma música pro telefone, que é um poema sobre a situação, que é a verbalização do que motivou a tristeza de Paul, cantada por ele e por Anna.

Avant La Haine (traduzido)

Saiba, minha linda, que os amores
Os mais brilhantes se sujam
O sol sujo do dia a dia
Submetem-lhes ao suplício

Tive uma idéia inadequada
Para evitar o insuportável

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Vamos terminar, por favor

Não, eu te beijo e isso passa
Você bem sabe
Não se livre de mim assim

Você acredita que vai se sair bem dessa
Me abandonando ao léu
Do grande amor que deve morrer
Mas você sabe que eu prefiro
As tempestades do inevitável
À sua pequena idéia destrutiva

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Você diz para terminarmos

Mas eu te beijo e isso passa
Eu sei bem
Não me livro de você assim

Eu poderia evitar o pior

Mas o melhor está por vir.

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Você diz para terminarmos


Não me livro de você assim

Não me livro de você assim.

Aqui o vídeo:



www.youtube.com/watch?v=nCKihhKniyE

Créditos:

Direção: Christopher Honoré
Elenco: Romain Duris(Paul), Louis Garrel (Jonanthan), Joana Preiss (Anna).


*Isso fica bem explicitado no início do filme em que ela fala que ele estava insatisfeito com ela por 3 razões nas quais ela, premeditadamente, transfere tudo que sente para ele. E a sequência seguinte, fora da cronologia, demonstra o entedimento dele a respeito. Ele sabia que ela não o amava mais e ela sabia que ele a amava.

** Depois que ela elabora o discurso pronto do término, ele joga o travesseiro no rosto dela, que reclama como se tivesse machucado. Ele fica preocupado, pede desculpas e vai socorrê-la. Situação auto-explicativa. Ele podia ter dado uns bofetões nela, porque ela o humilhou, ofendeu sua dignidade, mas para quem ama, o amado está acima de si próprio. Lógico que na vida alternamos os papéis, mas ela sempre quis que ele a amasse. Terminou antes que ele a odiasse.

*** Ele começa perguntando " Que tipo de amor faz alguém se jogar de cima da ponte?". Ele não sabe o que é o amor, mas pelo menos, entende o que é se jogar de cima da ponte. Ele mesmo é amado e não ama.Ele tem o mesmo papel da Anna, mas ele é o irmão, quem está pra (tentar) ajudar, coisa que só a Anna não poderia fazer.

sábado, 10 de outubro de 2009

Obama: faltam apenas a árvore e o livro

Por que o Obama ganhou o Prêmio Nobel DA PAZ? Eu nem vou entrar no mérito do porque ele foi presidente. Mas prêmio nobel está virando uma coisa do tipo que se entrega a celebridades. Obama é uma celebridade. Uma representação da minoria: negra e islâmica com status de melhor diplomata do mundo, de pesidente da nação mais "poderosa" (dizem) do mundo sem ter qualquer experiência administrativa. Como o nosso presidente, saiudo legislativo direto pra poltrona presidencial. E é bem isso mesmo:Lula ganha título de doutor, Obama de PN da Paz. Veja bem: da Paz.

Agora veja voce também que a Angelina Jolie se esforçou tanto, foi visitar os flagelados pela enésima vez em algum lugar desgraçado do mundo. Adotou 3 crianças que sempre saem com ela, e nem uma indicaçãozinha? Até Obama passou a frente dela.

É estranho até um prêmio nobel ir para um presidente americano, pós-Bush, pós cultura guerrafria, pós Hiroshima e Nagazaki. EUA constroem escudo antimisseis e querem exclusividade sobre as armas nucleares. Para fins pacíficos logicamente, para fogos de artifícios como dizia o centenário Edward Teller.

O outro prêmio nobel bizarro foi de literatura pra Herta Muller. Ninguém sabe quem ela é. Só que ela escreve livrinho de mistério.Pop.

Prêmio Nobel ultimamente está virando o novo Prêmio MTV.

domingo, 4 de outubro de 2009

Caso Honduras

Demorei um pouco pra tratar deste assunto porque esperei o Lula e o governo braileiro se posicionarem. Pra saber o que nosso digníssimo presidente entende por um golpe de Estado. Ou se sabe que quem quis dar o golpe foi o Zelaya e o Congresso, à beira de sofrer uma supressão, com o Michelletti, resguardou a constituição.

Mas a posição tímida do nosso presidente é óbvia, se lembrarmos de que ele próprio queria um terceiro mandato. E toda essa polêmica foi discutida na mídia, tendo o PT, por fim, resolvido indicar a Dilma. Tendo este exemplo de Honduras, sabe-se bem que foi esta a melhor opção, porque poderia acontecer o mesmo no nosso país, ainda mais pela teoria falida do Estado Mínimo lançada pela Dilma três dias antes do "golpe" na Venezuela.

Todos sabemos que o Lula é simpatizante do Chavez. E apoiar Zelaya é estar manifestando apoio ao Chavez, que, diga-se de passagem, transportou Zelaya de jatinho até Tegucigalpa (capital hondurenha) pra que ele tentasse uma resistência, quando ele, acuado, buscou apoio na embaixada brasileira. Foi errada a expulsão pelo exército, evitando um julgamento de Zelaya pela justiça, mas erro muito maior foi o retorno dele.

Daí a comunidade internacional começa a perceber que o que o Lula está fazendo é loucura. É anti-estado democrático e que o fato de um presidente ter sido regularmente eleito não quer dizer que o mesmo possa se impor acima da constituição. E é isso que a Dilma acha fácil: a nossa constiuição é neoliberal e, por isto, entenda: defende Estado Mínimo. O poder do presidente é limitado pelos demais poderes, no sistema de pesos e contrapesos, e não pode ele se posicionar contra o que a constituição defende. E vem as olímpiadas nos informar sobre a vitória do lula sobre Obama, bem na semana em que os EUA criticam o posicionamento do Lula e o retorno do Zelaya. Ora, se Lula não reconhece o governo interino, não pode manter seus diplomatas ali. É como se a embaixada não existisse. E ela é hoje o lugar de onde o Zelaya administra a bagunça sob pseudônimo de resistência.

Segundo The wall Street journal " Zelaya foi deposto não por um "antiquado golpe militar latino-americano", mas de maneira "legal" e por ordem do Tribunal Constitucional de Honduras, depois que "agitou as ruas com protestos para poder modificar a Constituição do país".E, exatamente por isso, a melhor forma de se resolver o conflito seria a entrega de Zelaya às autoridades do país. Posição esta do governo brasileiro. que oferece abrigo a Zelaya por quanto tempo quiser.

Em contrapartida, Michelletti começa a negociar diretamente com Zelaya. E, na próxima terça-feira, chegam os membros da OEA. E, elegantemente, ele declarou que o exército não invadiria o território brasileiro, sua propriedade (a embaixada brasileira), com oquem reconhece o Brasil, e reivindica a reciprocidade. É uma atitude que apaga o erro que cometeram ao explusar Delaya. É a oportunidade que tem o Brasil ,dependendo da sapiência do nosso presidente, de tomar pra si o protagonismo da crise. E resolvê-loa, óbviamente, implicará numa mudança de postura. Mudar de lado, mais precisamente, como os EUA também mudaram.

sábado, 3 de outubro de 2009

Rio - 2016

A mídia noticia como o dia que o Lula venceu Obama, e ele diz que foi o Rio, que é uma oportunidade de mostrarmos que somos um grande país. Veja bem: no que uma Olímpiada pode demonstrar que somos um grande país? A imagem que temos lá fora é aquela que nós mesmos desconstruímos. O país da corrupção, da violência e do turismo do sexo. Não sou eu que estou dizendo, é a nossa arte. E uma Olímpíada vai mudar muito isso. Não vai acontecer nada porque a polícia vai entrar em acordo com os traficantes, me disseram. E ainda: que vão retirar o foco do futebol e passá-lo para outros esportes, melhorando a estrutura, os investimenos nos atletas nacionais. Vão terminar de despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Baia de Guanabara, bem como as Lagoas de Jacarepaguá. Vão selecionar melhor as pessoas que vão aos eventos porque Olímpiada é muito mais cara que Pan. E não vão acontecer as vaias do Pan - devo dizer: as vais do Pan, na abertura, foi um dos melhores momentos do evento.

E vimos o Lula e Sergio Cabral chorarem pela vitória. Os dois vaiados do Pan. Os dois que estão comemorando uma oportunidade de mostrar um Rio que não existe e assumirem um compromisso que seus sucessores irão cumprir. O Obama bem que tentou, mas a vitória foi do Lula. Assim que eu li:“O homem que é considerado o dono do melhor discurso da política contemporânea foi surpreendido pelo brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva”, escreveu o “Times”. Nem sempre o pior discurso é o perdedor e o melhor é o vencedor.

O país inteiro se comoveu com o choro do Pelé. Vamos pular da 10ª economia mundial pra 5º lugar segundo o FMI. Um salto que nos colocará no rol dos países mais respeitados. Estamos mais poderosos que os americanos. Mais influentes também. Já está tudo planejado até 2016, as pessoas estão sonhando desde agora.

Depois da olímpiada é que a gente vai acordar.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

The Mist (O nevoeiro) Spoilers



Não é um tipo de filme que eu indicaria, mas trata de um enfoque que eu tenho estudado ultimamente e está dentro dessa discussão sobre a 2ª Guerra e o nazismo,etc. " O nevoeiro" trata da relação dominadores-dominados que os homens tratam entre si. Da facilidade que as pessoas têm de entregarem as próprias vidas nas mãos dos outros por medo a terem que decidir seus destinos.

Então, o filme conta a estória de um pai e um filho que vão pro mercado, deixando a mãe em casa. Bem americanos, bem exemplos de comportamento. E acontece uma coisa estranha: um nevoeiro aparece enquanto eles estão no mercado e há monstros nele. É uma cidade pequena, todos se conhecem, e fica a amostra da população ali confinada.

Dentro do mercado, eles têm que decidir o que vão fazer pra se salvarem. E, reduzindo o conflito, são as duas partes opostas: o pai e uma fanática religiosa que interpreta literalmente a Bíblia. E faz um inferno dentro do supermercado e convence a maioria das pessoas, de forma que o pai, uma amante com quem ele trepa no mercado, dois idosos e o filho saem porque ficar no mercado era pior que sair.

Proposta da religiosa: encarar como vontade de Deus e esperar apostando na vida eterna.
Proposta do pai: pegar o carro e sair dali, esperando um milagre de sair do nevoeiro até aonde desse a gasolina.

São dois líderes que decidem o destino de quem os escolherem. Aí vem o final do filme. Logicamente que você vai achar o pai correto, que o filme é sobre esperança e tentar um milagre e que é melhor agir que esperar. Você, como espectador. E aí que o pai pega sobre um carro, na hora da fuga, um revólver com 4 balas. Eles são 5.

A gasolina acaba, eles ainda estão no nevoeiro, o pai pega o revolver e, de comum acordo, decide matar a todos e ele decidir o próprio destino. O primeiro que ele mata é o filho.

Tudo isso ocorre porque eles escutam umas gritarias, como se os monstros estivessem atrás deles, e, não, era o EXÉRCITO AMERICANO EXTERMINANDO.

Pois é, um milagre aconteceu, e a mínima chance que houve de sobreviver, ele destinou a ele. Todos no mercado se salvaram.

O que há em comum entre os dois antagonistas é que eles vão decidir a vida dos demais de forma individual. E, apesar da persuasão e de todo esforço que tiveram, não adiantará de nada. Só que você, como telespectador, não está em posição de dizer qual dos dois está mais correto. Você torce para os que ficaram morrerem, você acha que a mulher que sai pra salvar os filhos (única que decide sozinha a própria vida) morreu e você pensa que as pessoas no carro terão final feliz.

Tudo leva você a achar que o pai era o herói e que ele fez tudo pelo filho, mas , tanto quanto a louca religiosa, ele queria salvar a si próprio. Convenientemente, eliminando o filho, ele teria mais chances. Ele faz, se arrepende e se pune, enfrentando os monstros e é o exército salvando-o.


O nome do filme: Márcia Gay Harden.
Direção: Frank Darabont

Baseado no conto de Stephen King.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Tolerância Zero



Eu sempre ouvi falar das teorias revisionistas e acho que realmente muita coisa foi contada à moda dos vencedores. Ignoraram a bomba atômica lançada no Japão e determinaram que a terra mais santa de todas as religiões ficariam a um povo de natureza semita.

Quem tem senso crítico consegue facilmente perceber os questionamentos levantados pelo filme e a "amenizada" que o diretor resolveu dar no final. E a metaforização do homem "mais cruel " da humanidade, que já disseram até que era judeu ,e fundador do nazismo. Que nunca, nem mesmo na morte, defendeu o discurso de vítima. Este é o ponto que Daniel defende. Sempre foi conveniente para os judeus defenderem a posição de vítimas. E sempre foi conveniente todo o discurso capitalista e influência científica deles, no sentido de que os instrumentos de dominância hoje estão direta ou indiretamente ligados a eles e não nos damos conta. Um povo que não tem território fixo e que se espalhou pelo mundo que vive em universalização.

No filme estão citados vários judeus famosos, como Marx, o defensor do socialismo - contraponto dos nazistas que se diziam os verdadeiros socialistas- a Einsten que foi o cientista precursor da bomba atômica. E sobre a ética, questiona a passividade acovardada dos judeus na história. Do povo que tem um discurso a partir do sofrimento*. E, em torno deles, é criada toda uma política discriminatória de minorias marginalizadas pela sociedade (eu acredito que o movimento político em prol de interesses de minorias tenham neles o fundamento) . E muito do ódio que gera a violência neonazista se deve a esta aceitação pela sociedade. "Por que você apanha e não revida?" E mais: que o ódio e a repugnância sentida pela sociedade é geral e não-manifestada, pois ninguém quer se envolver. É melhor ignorar, torná-lo igual, e calá-lo.

A contradição do filme é sustentar todo um argumento no comportamento do protagonista e suas idéias e, depois,torná-lo um igual e agindo de forma contrária. Ele é um judeu que questiona sua religião. Ele busca um posicionamento. Ele vive na negação e na intolerância de si mesmo e, na sua inteligência e capacidade argumentativa, convence muitas pessoas. E, tal como um líder de guerra ou um chefe político, ele conhece muito bem os dois lados.



*É citado, numa reunião, um caso de um homem judeu que, no campo de concentração presenciou a morte do filho de 3 anos, a sangue frio pro um soldado alemão e na da fez. É referência à vitimização e da idéia de heróis sofredores. E também, do judeu perseguido no trem, co mcara de submisso ,que apanha e não revida, bem covarde e de aspecto frágil.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Even if you walk and walk


O título quer dizer "Mesmo se você andar e andar", ou seja, ainda que você procure se distanciar, os problemas sempre ressurgem e as diferenças familiares também.

O filme é narrado pelo filho do meio. Ele está desempregado, mas tem vergonha de dizer á família, 40 anos, casado com uma mulher que tem um filho. Os três vão na casa dos pais dele, num almoço que acontece todo ano, em memória do irmão mais velho dele. para ele, é uma tortura, algo que, pra ele, sempremelhor evitar. Pra esposa, não, é um momento de aproximação das famílias.

Os pais são um médico aposentado e uma dona-de-casa dessas bem japonesas, tradicionais, que se ajoelham para cumprimentar os convidados. Ele, frustrado de não poder exercer mais a medicina, e , ela, de não poder cuidar mais dele e necessitar auxílio da filha.

A filha também é casada e tem um casal de filhos. Ela é mais neutra na família. Casou-se comum homem de pouca personalidade, que parece viver às custas dela.

E o outro personagem do filme é "você", um simbolismo do diretor para aqueles que certamente estarão identificados ali naquela família porque todas são iguais.

A primeira coisa que é evidenciada é a presença do irmão morto na lembrança de todos. As histórias da vida dele são relembradas, sempre como os melhores momentos da família. Até mesmo aqueles em que não fora ele que protagonizou, mas o filho mais novo. Depois, a indiferença do pai aos filhos. Ele se ressente de ambos não terem querido ser médicos como ele ou como o mais novo seria. Pais sempre querem escolher os caminhos que os filhos vão seguir. A primeira atitude reflexa de quando isso não acontece, é criar situações de repelimento. Uma forma de magoar, fazer sofrer o mesmo que eles sofrem. E, na velhice, o próprio pai se isola, fica anti-social.

A personagem mais sutil, e também cruel, é a mãe. Ela é aquela que sempre cuidou e, agora, quer ser cuidada. Quer que o filho a leve para passear de carro. Rejeita o enteado do filho e não o considera seu neto. Trata o filho como se ainda não tivesse crescido, porque não tem um carro (ela menciona várias vezes o sonho de passear no carro do filho), não parece estar bem financeiramente. Mas o mais cruel dela é visto em relação a um jovem, envolvido na morte do filho dela. Ela o convida para almoçar todos os anos, trata-o bem, parece que o ajudou nos estudos, e sempre vê que ele não cosnegue se estruturar. Debocha dele pelas costas, porque tem consciência de que é humilhante pra ele estar ali. É a vingança dela pela morte do filho.

Parece que a presença dos pais e do vínculo familiar influencia negativamente os filhos. Os sonhos de ambos ficam adiados, e há uma tentativa de se parecer feliz diante daquelas situações, não procurando enxergar a real intenção e motivo dos comportamentos dos pais. E um simbolismo disso é, quando, numa conversa, a mãe pergunta que lutador de sumô parecia o sujeito , visitante, de que eles debochavam. Ambos só lembram - ao mesmo tempo- depois que o filho estava no ônibus a caminho de casa. Ele, então diz: "É sempre assim, estou sempre um pouco atrasado".

sábado, 22 de agosto de 2009

Mentira não faz parte da minha biografia

Então, mais uma uma vez a credibilidade da Dilma está abalada. E a frase: "Mentira não faz parte da minha biografia", que tem um ar muito mais inteligente que aquela usada pelo Agripino ano passado. O foco saiu do Sarney e foi pra Dilma, que movimentou os pauzinhos pra ferrrar o Sarney e ela foi junto. O mais legal é vê-lo sair e o foco todo ir pra ela.

A Dilma tem uma postura muito déspota. Muito cara de ditadura mesmo, de quando ela fez parte da gangue terrorista do Lamarca. Sendo que nunca disse verdades. Veja só que ela dizia que tinha mestrado e nunca apresentou dissertação, só fez as aulas.Falsidade ideológica. E desnecessária, porque Lula é o cara que mais incentiva a falta de estudo. "Que é um saco!"


A Dilma é malandra, mas ela não tem carisma e o PT está FODIDO, e , se depender de mim, pode afundar de vez, na lama e na merda. E o Lula junto com ele. Quero muito que continuem a negar o feminino o porque não quero ficar mais 4 anos lamentando. Espero também que aprendam o que é ironia nesse 1 ano, não precisem de 4.

domingo, 16 de agosto de 2009

A moment to Remember (2004)


O amor é o sentimento mais frágil e mais avassalador do ser humano. E é efêmero também. E, por mais intenso que ele seja, quando termina, o ser humano só pensa em esquecer. E o filme gira em torno do que representa o amor e as formas de amar. Desde amor de família, do amor impossível, imoral até o desamor, o ódio. Irônicamente, o amor protencionista é do pai em relação à filha, e o ódio repugnante é da mãe em relação ao filho. E pra este é que existe o perdão, que o filme define como dar somente um canto do coração para o ódio.

Sun-Ji é uma mulher de 20 e poucos anos que acaba de se separar de um homem casado. Um relacionamento que trouxe muito sofrimento pra ela e pra sua família. No dia que é abandonada,ela conhece Chul-soo, um homem áspero,moldado pelo ódio e rejeição que a mãe sente por ele. Um talentoso aspirante a arquiteto que trabalha numa obra como contra-mestre.

Sun-ji é determinada, segura, sabe o que quer, bem sucedida profissionalmente e cresceu rodeada de amor e proteção. Já Chul-soo é frio, desacreditado na vida, apesar de talentoso, vive a menos do que merece, sem esperar nada de bom da vida por ter vivido o lado ruim. Ela é completamente o oposto dele. E eles começam a namorar, quando ela descobre que sofre de uma doença que a faz esquecer das coisas. Ou seja, enquanto ele vai descobrindo o que é amar, ela vai esquecendo. E, no amor ,dar é receber, e o ápice de sua plenitude é a renúncia. Ela renuncia ao amor do homem casado quando vê que não existe possibilidades e pelo abandono. E ele tem que renunciar a ela por um desejo dela,pra retirar a agonia dele de sofrer por estar sendo esquecido.

E existe uma cena em que ela o chama pelo nome do ex, e diz que o ama e que ele começa a se questionar sobre quem ela realmente amava: ele ou o ex. Ela renuncia ao emprego, começa esquecer o caminho de casa,os parentes, tudo da vida dela e ele se nega a deixá-la. E quando esquece tudo, ela tem um ápice de memória e o abandona definitivamente, deixando um bilhete descrevendo a explosão de sentimentos, dando-se conta de que acabara de chamá-lo pelo nome do ex.

É engraçado que, pelas duas personagens, nota-se que nos esforçamos mais pra não esquecer dos momentos ruins e do ódio, que dos bons e o amor. E, que amar é abrir mão de nó mesmos em função daqueles que amamos.
Filme sul-coreano, de 2004.
Direção de John H. Lee