
Trata-se do significa de liberdade. Que, para o ser humano, quer dizer independência, desapego às conveniências, submissão a constragimentos físicos ou morais. Julie representa isso: um ser livre. Todo o significado dicionarizado de liberdade será uma característica dela.
No início do filme, ela é a única sobrevivente de um acidente de carro, no qual morrem seu marido e sua filha. Ela tenta se matar, mas não consegue. Sente a dor de perder pessoas que ama. Rica, volta para a mansão onde vive e depara-se com a solidariedade dos empregados. E, generosa, dá-lhes tudo que herdou do marido, vivendo apenas do que ela tinha em sua conta pessoal. Garante a vida da empregada, do jardineiro, da mãe. Tenta livrar-se das lembranças e do que remetia à sua família, põe a casa à venda e vai morar sozinha, sem deixar rastros. Ela tem alguém que a ama: Olivier. E ela sabe que ele a ama, ela cede a ele, mas por uma uma noite. Faz-lhe café de manhã e sai. A imagem que se tem dela é de ser uma mulher inabalável, que não sofre, não sente dor - ela se fere, correndo a mão num muro-, mas falta lágrima. E sua atitude é livrar-se de qualquer vínculo com as pessoas, que, segundo ela, é armadilha.
Ela aluga um apartamento. Num dia, fica com a porta trancada fora de casa, quando vê que uma vizinha, prostituta, recebe homens no seu apartamento. E os outros vizinhos a condenam e fazem um abaixo-assinado para sua expulsão do edifício por receber homens em casa. Manifesto que July não assina porque "não é da sua conta" o que a vizinha faz. Não faz julgamentos, não compartilha do constrangimento moral feito pelos outros condôminos à sua vizinha prostituta. E, além disso, num outro momento, a pedido da então amiga, vai ajudá-la a recuperar-se do choque de ter visto o pai entre os homens na casa de prostituição e striptease em que trabalhava. Mesmo gostando do que faz, ela mesma se condena. E Ela diz: "salvou a minha vida" , por ter sido alguém com quem ela pôde contar. E ela não tinha ninguém.
E, mesmo tendo a intenção de livrar-se dos arquivos do marido, amigos em comum salvam documentos, fotos e uma partirtura inacabada. Ele era músico ,famoso, e estava a compor uma ópera. Ela não queria descobrir segredos do marido, vincular-se ao passado. Mas há necessidade de se assegurar a algo e, muitas vezes, há pessoas que precisam de nós. E ela descobre a amante que esperava um filho de seu marido*. Decide dar-lhe a casa, para assegurá-la de criar bem o filho. Esperava-se ódio dela, mas ela não o tem.
E, durante o filme, uma música vai sendo composta, o último gesto dela em relação ao marido. A constatação de sua generosidade. Ela e Patrice ficam encarregados de terminá-la, mas é feito de tal forma que eles a refazem totalmente. E ela tem um amor, de Olivier, que a esperava durante todo o tempo.
E, no final do filme, aparecem todas as pessoas que foram agraciadas por sua generosidade.
A liberdade é isto: o desapego, a desvinculação de qualquer coisa, pessoa, sentimento que o façam a fazer algo que não quer, ou porque lhe é imposto. É a opção por fazer por vontade.
*Interessante o simbolismo do amor do marido de Julie usado por Kieslowski. É uma cruz numa corrente que tanto Julie quanto a amante carregavam no pescoço. Ele dava pra quem amava. É um vínculo criado. Com a morte dele, o vínculo com Julie se rompe, mas, com a amante, existe um bebê. Ela esquece o vínculo, a corrente que arrebentou durante o resgate. E um rapaz tenta deveolvê-la. Ali fica o simbolismo do fim do luto. E o recomeço.
** O filme todo tem um aspecto visual azulado, a água representa o renovação, renascimento - ou recomeço- de Julie. E o filme é a representação de sua liberdade e de como ela recomeça a vida. No final ela chora.
No início do filme, ela é a única sobrevivente de um acidente de carro, no qual morrem seu marido e sua filha. Ela tenta se matar, mas não consegue. Sente a dor de perder pessoas que ama. Rica, volta para a mansão onde vive e depara-se com a solidariedade dos empregados. E, generosa, dá-lhes tudo que herdou do marido, vivendo apenas do que ela tinha em sua conta pessoal. Garante a vida da empregada, do jardineiro, da mãe. Tenta livrar-se das lembranças e do que remetia à sua família, põe a casa à venda e vai morar sozinha, sem deixar rastros. Ela tem alguém que a ama: Olivier. E ela sabe que ele a ama, ela cede a ele, mas por uma uma noite. Faz-lhe café de manhã e sai. A imagem que se tem dela é de ser uma mulher inabalável, que não sofre, não sente dor - ela se fere, correndo a mão num muro-, mas falta lágrima. E sua atitude é livrar-se de qualquer vínculo com as pessoas, que, segundo ela, é armadilha.
Ela aluga um apartamento. Num dia, fica com a porta trancada fora de casa, quando vê que uma vizinha, prostituta, recebe homens no seu apartamento. E os outros vizinhos a condenam e fazem um abaixo-assinado para sua expulsão do edifício por receber homens em casa. Manifesto que July não assina porque "não é da sua conta" o que a vizinha faz. Não faz julgamentos, não compartilha do constrangimento moral feito pelos outros condôminos à sua vizinha prostituta. E, além disso, num outro momento, a pedido da então amiga, vai ajudá-la a recuperar-se do choque de ter visto o pai entre os homens na casa de prostituição e striptease em que trabalhava. Mesmo gostando do que faz, ela mesma se condena. E Ela diz: "salvou a minha vida" , por ter sido alguém com quem ela pôde contar. E ela não tinha ninguém.
E, mesmo tendo a intenção de livrar-se dos arquivos do marido, amigos em comum salvam documentos, fotos e uma partirtura inacabada. Ele era músico ,famoso, e estava a compor uma ópera. Ela não queria descobrir segredos do marido, vincular-se ao passado. Mas há necessidade de se assegurar a algo e, muitas vezes, há pessoas que precisam de nós. E ela descobre a amante que esperava um filho de seu marido*. Decide dar-lhe a casa, para assegurá-la de criar bem o filho. Esperava-se ódio dela, mas ela não o tem.
E, durante o filme, uma música vai sendo composta, o último gesto dela em relação ao marido. A constatação de sua generosidade. Ela e Patrice ficam encarregados de terminá-la, mas é feito de tal forma que eles a refazem totalmente. E ela tem um amor, de Olivier, que a esperava durante todo o tempo.
E, no final do filme, aparecem todas as pessoas que foram agraciadas por sua generosidade.
A liberdade é isto: o desapego, a desvinculação de qualquer coisa, pessoa, sentimento que o façam a fazer algo que não quer, ou porque lhe é imposto. É a opção por fazer por vontade.
*Interessante o simbolismo do amor do marido de Julie usado por Kieslowski. É uma cruz numa corrente que tanto Julie quanto a amante carregavam no pescoço. Ele dava pra quem amava. É um vínculo criado. Com a morte dele, o vínculo com Julie se rompe, mas, com a amante, existe um bebê. Ela esquece o vínculo, a corrente que arrebentou durante o resgate. E um rapaz tenta deveolvê-la. Ali fica o simbolismo do fim do luto. E o recomeço.
** O filme todo tem um aspecto visual azulado, a água representa o renovação, renascimento - ou recomeço- de Julie. E o filme é a representação de sua liberdade e de como ela recomeça a vida. No final ela chora.
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