segunda-feira, 22 de março de 2010

Preciosa( 2009)

Preciosa é um filme que trata de violência doméstica em todas as conotações que ela tem. É sexual, quando se trata de pai e filha e física e moral quando se trata da mãe. A vítima é uma menina de 16 anos, que teve a vida estagnada, e, traumatizada pela relação que ela sofre com a família dentro de casa. Estuprada pelo pai constantemente, tem 2 filhos dele: uma menina com problemas mentais, a quem chama de Mongo, e um menino. Ela recebe ajuda do governo, vai constantemente a reuniões com assistentes sociais para ganhar um incentivo que sustenta a familia. Apenas ela, a mãe é quem se aproveita do dinheiro. Não trabalha e faz com que a filha se prive da vida de adolescente pra cuidar dos filhos e servi-lhe como escrava.

A história em si é bem simples. Pra amenizar as cenas de violência suportadas pela protagonista, são interpostas cenas dela como uma "celebridade", um sonho onde todos estão adorando-a, um sonho que ela tem que se antagoniza com sua realidade.

O filme trata da perda da dignidade de uma pessoa. De bully. Precious sofre violência de todas as formas e é a única coisa que recebe do ser humano até aparecerem uma professora do curso de alfabetização especial do qual ela participa, a diretora, tentando ajudá-la, e a própria assistente social que, desconfiada dos abusos sofridos por Precious, corta o benefício, forçando a mãe a ir às reuniões. É forte, mas é um fato bem banalizado na sociedade. E não se trata nem do racismo., o enfoque é a violência da mulher * e de como há diferentes formas de reação. A avó de Precious cuida muito bem da neta, da mesma forma que cuidou da filha, mãe da Precious. Existe carinho e dedicação; a violência que ela sofre é do marido, e, tudo é descontado na filha. Pessoas que sofrem violência tendem a repetí-la em outras mais frágeis ou reagem como Precious, que, mesmo com toda passividade, quando tem a oportunidade, tenta reconstruir a vida. E existe uma omissão da avó, apesar de toda indignação que sente ao ver a filha cuidar da neta., o que faz dela uma cúmplice, não apenas uma testemunha.

A cena mais forte do filme é a cena final. Muito bem protagonizada pelas atrizes (incluindo Mariah Carey, que faz a assistente social). Lá, é narrado, pela mãe, como se deu o primeiro abuso sexual sofrido pela Precious aos 3 anos de idade. É uma cena que, a meu ver, teve um ruído. Existe uma diferença de intensidade nas atuações. A mãe durante o filme é bem dissimulada e, na cena final, há uma destoância porque ela parece sincera, comove a assistente, e a filha age de forma desdenhosa. Vale ressaltar que ela só estava ali pelo dinheiro, por nunca ter ido às reuniões. E isso era notório. Ficou uma dúvida.

* Há uma cena simbólica. A Precious conversando com a assistente pergunta a ela que cor que ela tem. E a assistente não se encaixa num perfil.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Avatar (2009)


A primeira informação relevante sobre este filme é a sua duração de 2h40min, o que vai demandar do telespectador tempo e paciência. Então, coragem. A segunda é de que não vale a pena, mas como todo filme americano que concorre a Oscar tem um apelo comercial surreal, não adianta a gente dizer que não é recomendável que as pessoas vão assistir do mesmo jeito. E, obviamente, o filme é o primeiro de uma série.

Trata-se de uma missão, a não sei quantos anos a frente daqui, num planeta chamado Pandora, onde vivem seres humanóides com uns 5 mts de altura, azuis e com rabo de rabo de cavalo, cuja descrição visual é a dos nossos antigos povos de baixa cultura. americano tem essa fixação com indígena e, quando não se trata de filmes de terror, os alienígenas são sempre culturalmente menos evoluídos que os homens. A vantagens dos aliens é que eles são fisicamente muito desenvolvidos e fortes e eles são o topo da cadeia alimentar. São mais inteligentes que os animais locais, têm dominância sobre eles e têm um contato mais pessoal com a natureza. Eles pedem desculpas aos animais que sacrificam pra comer. E, literalmente, são conectados a natureza. Tem essa coisa de consciência ecológica, até porque o filme mostra um reinício e os seres azuis são os protagonistas.

Jake Sully é um humano de coração bom. Ele se junta à uma missão substituindo seu irmão que estava a frente das pesquisas em Pandora, na construção dos avatares (que são uma espécie de robôs biologicamente criados pra interagirem com os navis afim de dominá-los). Como o irmão gêmeo do Jake morreu, ele entra no lugar. E ele é paraplégico. A função dele é , através de seu avatar, se infiltrar na sociedade navi, estudar seus costumes e negociar a ocupação do território onde existe uma reserva de um metal que, na Terra, vale 20 milhões de dólares, o kg. Na missão, também estão Grace, Sigourney Weaver, bióloga que está apenas interessada no estudo e um general bem clichezento responsável pela dominação através da força e do genocídio.

A história é bem óbvia, então, nem vou me prender muito a isso, mas o que eu acho interessante, digamos, é a forma como os navi's são tratados. Eles vivem como os nossos índios, num comunitarismo primitivo. E também, o filme quer remeter a um novo começo porque hoje nós vivemos num planeta completamente descompensado devido ao extrativismo e exploração ecoômica do homem que só destrói, não preserva. Em breve, a gente terá que se mudar pra outro planeta e vai ter que mudar e se conscientizar da preservação. Tem isso aí: a consciência ecológica. E os navis fazem o bom uso da natureza, com respeito a ela, que nós humanos não temos. E a função do Jake é essa também: ele representa o homem atual que quer caminhar a frente (lógicamente, ele é paraplégico, com o avatar, ele volta a andar e se apaixona com uma navi e faz sexo com ela), ex militar, que muda, tem um bom coração e ele vai querer ser como um navi. Da mesma forma que o Sting vê o Paulinho Paiakan. Existe um um interesse transindividual do Jake. Ele começa pensando em si próprio e no homem, depois ele passa a pensar nos navis, até pela ética da conduta amorosa. Aliás, temos aí na Grace e no Jake todas as modalidades de conduta ética sopesadas.

Postas as diferenças, dito que a mensagem do filme é válida, não há nada ali que você possa dizer que te impressiona. É um filme do James Cameron, que fez exterminador do futuroe a própria série Alien. Tem lá a crítica ao militarismo, sua associação ao totalitarismo, imposição pela violência, ao capitalismo, etc. E tudo tratado na melhor forma de vide-game. Inclusive, você pode ver o filme em 3D. Tudo muito moderno, mas pouco inovador pro que o cinema representa.


*Gostaria só de falar também da presença do Giovani Rigbisi e da Michelle Rodriguez que são dois diferencais nos gêneros que normalmente atuam. O primeiro é um excelente ator, que fez o Heaven que eu comentei há algum tempo e ela, é uma referência de filmes de ficção, como Resident Evil. Embora, coadjuvante, sempre se destaca. Sempre tem uma importância nos filmes. Ela prepara o caminho pro protagonista. Ela é figurinha fácil de ficcção, e o Giovani, bom, cinema arte não dá tanto dinheiro,né? Tá certo ele.

domingo, 7 de março de 2010

Tédio


Blog é um negócio que enjoa. Ainda mais quando você não tem os traquejos de modificar template. e mudar a cara do troço. E nem é falta de tempo porque isso aí eu tenho gastado bastante com coisas inúteis, como BBB, por exemplo, que eu faço todo ano. E eu estou torcendo pela Lia desde o começo e já falaram que eu como capim. Acho que ela é uma das melhores jogadoras de BBB que eu já vi. Com uma retórica sensacional. É aquela estratégia suicida que deu certo porque ela esteve do lado certo. E ela sacudiu o jogo, contou à sua maneira e preparou o terreno pro Dourado ganhar. E eu sei que mulher não ganha mesmo, porque é Pby que compensa. Só ver que Grazi = Carollini Honório.* E eu nunca torci pela Grazi. Hoje, ela seria sonsa. E BBB é jogo onde aquele que chega a final pode contar a históriado programa. O BBb 10 é o da Lia. Eu desenhei no msn dia desses a trajetória dela, do porquê de eu gostar tanto dela. Aliás, Só torço pelos não populares, fazer o quê? E foi útil, na ultima semana, descobri o filme " A órfã" pelo BBB.

Sobre esta edição, resumidamente:

Não é possível que nego não perceba que o Michel é falso. Eu estou adorando que a galera está metendo a cara, descendo o nível mesmo. O Dourado disse no primeiro dia, quando entrou ,que podia até perder uma perna. Aquilo ali é tudo pra eles. E veja você: a única pessoa com alguma classe, reserva e esperteza juntas é a Fernanda. Pra mim: Cadu, Dourado e Fernanda têm tudo pra final. Lia, com um honroso 4º lugar, senão conseguir tirar a Fernanda do páreo no caminho. As bichinhas saem, porque vão contra Dourado. Vão enfrentá-lo em paredão duplo. Porque tá fechado o novo lado b: Cadu Lia e Dourado estão juntos. Fernanda é neutra. Se a liderança for pra qualquer um deles, a tendência é líder indicar Serginho ou Dimmy e eles terem que votar no Dourado ou na Fernanda. A Lia sempre estará protegida e caso haja empate, a Lia sai do paredão. Já foi pra três, Dourado é campeão já, sendo que a cacau saiu com 62%, Lia 27%, Dourado 11%. Dourado figurou no paredão. Sinal de que a Lia está bem com o público.


E eu também resolvi lançar uma campanha anti-celular. Joguei o meu fora e, sinceramente, não faz falta. Achei até libertador. Filosofia mesmo. E há quem fique querendo me convencer que e´absurdo. "eu te dou um celular" e eu respondo que não é o dinheiro o problema. Aliás, dinheiro, pra mim, só é problema pra quem tem muito, pra quem não tem, como eu, o importante é a criatividade.

To pensando em migrar o blog pra ver se eu me animo.

* É claro que não em popularidade, mas em colocação. Vice campeã e com a vantagem de ter jogado e não de ter cumprido o papel de princesa. E, hoje, a Grazi não daria certo. Ninguém quer ser Grazi e muitas querem ser Priscila.

sábado, 16 de janeiro de 2010

"O Haiti não é aqui"

A gente terminou o ano passado com a tragédia em Angra e começou 2010 com a do Haiti chocados com a diferença de tratamento dado a ambos os casos. Simplesmente esqueceram a Yumi depois do terremoto, lembraram até do cônsul falando em maldição dos países africanos. Algo forçado isso aí, no sentido de um comentário impróprio numa hora em que não se deveria estar gravando.

Enfim, o Lula resolve doar 15 MILHÕES DE DÓLARES pra resolver o assunto haitiano, enquanto os países RICOS doaram cerca de 2 milhões. Mandou aviões da FAB pra ajudar nos resgates. Isso não seria nada se não fosse o fato de que, no Brasil, há muito mais vítimas que no Haiti. No Brasil, existe OBRIGATORIEDADE do governo ajudar, porque os CONTRIBUINTES estão aqui. Veja bem a quantidade de pessoas executadas por não pagamento de impostos, o confisco que é a carga tributária brasileira, basta que você seja remunerado que você paga impostos. Aí, na hora que você perde sua casa em virtude um deslizamento, perde sua família, fica sem nada, o Estado resolve ser o bom samaritano internacional. Faz política externa.

E vários soldados brasileiros morreram no Haiti também. E os americanos estão lá escoltando nossa FAB com ajuda humanitária. O presidente viu Angra, viu o sul do país, teve que sobrevoar pra delcarar estado de emergência. E ajudou o Haiti.

Eu só quero levantar com isso a questão do "não tem pra gente, tem pros outros", só pra que saibamos do quanto o povo se deixa levar, nas horas das eleições, de que vão ter seus anseios atendidos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

quem sou eu:

Na vida, se aprende que nós escolhemos o tempo do verbo. E que "se arrepender só do que não fez" nunca dá certo. Veja só o Einstein: passou a vida pensando assim e, só depois que viu a bomba que ele idealizou explodir, começou a pedir desculpas e virou bom moço. Quem liga pro arrependimento dele?

Uma outra coisa importante: politicamente correto pra quem tem senso critico é ironia. Pra quem não tem, é bom mocismo.

Então, se você tem interesse, melhor que pensem que você é bem intencionado, ingênuo e legal.

Afinal:


"Estamos tão familiarizados com a hipocrisia que a sinceridade de alguém nos parece um sarcasmo." (Adão Myszak)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Breath (2007) Spoilers


Por muitas vezes, a inércia independe do ser humano. No caso de um preso, por exemplo, um condenado a morte: não há o que fazer senão esperar. As pessoas ignoram a tristeza e o sofrimento que é viver sem mudar a situação em que se está,porque simplesmente é mais fácil negar e demonstrar o quanto se pode ser feliz, como se fosse uma escolha ser triste.

No filme, a personagem principal, Yeon, não é feliz. É ignorada pela própria família (marido e filha) e se sente secundária. Desimportante. As pessoas a vêem como parte da casa porque ela vive em função delas: lava, passa, cozinha, cuida. Ela passa por um vazio na vida e quer ser importante para alguém. E ela vê na TV um preso, Jin, condenado a morte, que tentara suícido duas vezes. Não há sentido em esperar para morrer, ele só não o faz porque não tem condições de mudar de situação, inclusive, ele prefere morrer a viver daquele jeito. E viver, pra quem é condenado a morte, faz parte da pena porque é ser constantemente humilhado.

Ela o vê pela TV e faz por ele algo que ele não poderia ter, mas que ela poderia dar: a visão do lado de fora. Mesmo que simbolicamente. Ela o visita na cadeia e em reuniões particulares, enfeita a sala de visitas com papéis de parede simbolizando as estações de ano. E a estação em que se passa o filme é o inverno. A cada visita, ela vai com a roupa da estação, o que obviamente, faz com que ela sofra com o rigor do frio. Ela canta, conta histórias, apresenta a ele sua família através de fotos. E tudo é monitorado pelo chefe do presídio, certamente, entediado com a ausência de novidades em seu trabalho. A função dele, igual, é apenas observar.Remete imediatamente ao que se vê nos realities shows, onde o público deixa a própria vida, pra ficarem inertes observando a vida alheia.

E o contraste: eles sentem a mesma tristeza, mas ela ainda tem o que ele perdeu, embora esteja prestes a fazer o que ele fez. A liberdade aqui não faz diferença, porque a Yeon se anulou perante seus familiares, da mesma forma que Jin se anula perante a sociedade. E ser inerte, quando se é livre, muitas vezes, é esperar por uma catástrofe. E as mudanças acontecem de dentro pra fora. Quem vive ao lado, percebe. No caso dela, o marido, a vê mais bonita, abandona uma amante (um dos motivos da ruína do casamento), mas não entende o porquê da mudança. No dele, um companheiro de cela, apaixonado, que não gosta e se vê preterido, ao notar que Jin lhe parece feliz e não precisa dele.

Com isso, ela vai despertando o interesse na família, que não sabe o que ela faz. Aliás, é uma coisa engraçada: a displicência dela com as tarefas domésticas, as saídas misteriosas, vai despertando o interesse da família. Eles começam a perceber a sua utilidade e começa a preocupação de perdê-la.

Ela tenta salvá-lo, ele a salva e, quando ela recupera a família, a história dos dois perde o sentido. Ele volta pra cadeia, ela pra família, porém revigorados.

sábado, 31 de outubro de 2009

Monkey see, monkey do

Todo mundo sabe o que é bully. E sempre existe aquela pessoa que tem a fama e não se importa, e tem os que sofrem e os que gostam mesmo de esculachar. Geralmente, quem ofende não se dá conta do estrago que está fazendo, e, muitas vezes, nem se importa, porque segue a psicologia das massas.

O que aconteceu à moça da UNIBAN não é nenhuma novidade. Amplitude da baderna só foi maior porque postaram no youtube. Sempre existe a puta da escola ou da faculdade, só que os deboches se davam dentro do ambiente. Nunca fora exteriorizado. Hoje não. Com a internet, simplesmente, não há mais garantia do direito individual, o que se faz em público , se torna público. Aconteceu com a namorada do Pedro, aconteceu à moça da Uniban.

O que se tem visto hoje em dia, é a falta de maturidade das pessoas e a prevalência do individual, seja na política das minorias, que envolvem identidade e valores morais, seja no próprio conceito de si mesmo, a ponto de a intolerância não partir apenas do ser, mas da afetação que se tem perante outros. Na verdade todo mundo, de certa forma, é restrito dentro do que se manifesta perante a sociedade. Da cessão ao sistema, como dito no post da Macabea. O diferente, muito menor, precisa ser atacado e o bully, muitas vezes, vem disso aí, da uniformidade. As pessoas nunca se sentem felizes com a uniformidade porque remete à mediocridade. Medíocre, vem de médio e o ser humano, por si,naturalmente, quer se destacar. E isso independe do fato de a moça da Uniban ser pobre, mas de não se limitar a isso. Não pode uma pobre se achar gostosa e usar vestidinhos curtos.

Veja bem: a menina tinha fama de puta, se vestia de forma ousada, não se importava com isso. Todo mundo a pressionava, xingando-a, rejeitando-a, mas sempre dentro de um limite. Ela não se afetava - como não se afeta, porque ela pretende voltar pra faculdade-.Então, obviamente, a mediocridade tenta repelir com o estardalhaço. Com certeza, ela não é mais puta que muita menina que a xingou, mas ela, com certeza,chamava mais a atenção.Ainda mais agora, que o Brasil inteiro conhece pelo menos o vestido.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Em Paris (2006) Spoilers





Uma vez eu vi uma frase que dizia que ser amigo é querer fazer parte da felicidade do outro. Claro que é incompleta, porque, por muitas vezes, também é fazer parte da tristeza também. Só que é a parte ruim e que ninguém quer fazer. E sobre isso que trata "Em Paris". E que também é tratado em "Não amarás" e "Pai e Filho", filmes do Kieslowski e do Sokurov que eu já comentei aqui.

Paul é a personagem triste. Ele está recém-separado da mulher, Anna, que termina o relacionamento com ele. Ele a amava, ela sabia. Ele percebe que não é mais amado* e tenta ferí-la, mas não consegue porque ela não o ama (mais?)**. E nas relações amorosas, existe o conquistador e o conquistado: aquele que deseja ser amado e aquele que ama. Não necessariamente se correspondem, como é o caso do filme, e aquele que sofre, é o que ama de verdade. E se torna vazio por dar tudo de si ao outro. É este o significado da tristeza que o filme quer dar: momento de recuperação da dignidade. Tal como a dignidade, tristeza faz parte do ser humano como a cor da pupila faz parte do olho.

Jonanthan é o irmão de Paul. Ele é a pessoa que tenta tirar o irmão da depressão. Função esta que o pai lhe delega. E qual a forma que ele encontra pra isso? Demonstrar que a vida é bela e dá suas três trepadas no mesmo dia, enquanto "espera" o irmão encontrá-lo. O inverso do que se deveria fazer. Um amigo quer tomar parte da felicidade, mas da tristeza, que tome um psicologo. Por subestimarmos a tristeza dos outros, não nos é cabível que alguém possa sofrer, por isso, ignoramos e não queremos tomar parte. Não é conveniente compartilhar a tristeza como é compartilhar a felicidade. Da mesma forma que a tristeza é sua parte, você nunca vai saber o que o outro passa, se não se por no lugar dele. Jonanthan narra o filme e ele também percebe ,no final, o que o irmão sente,*** porque é o momento em que ele, de fato, se põe no lugar do irmão. Até então, ele procurava demonstrar o quanto lhe parecia ridículo o sentimento de resgate da dignidade do irmão por si só.

O filme é redundante em diversas situações e demonstra claramente todos os lados. Não toca da mesma forma que o "Não Amarás" (que tem a cena mais bonita que eu já presenciei no cinema) que é o melhor filme sobre amor já feito. E tem a cena final em que é cantada uma música pro telefone, que é um poema sobre a situação, que é a verbalização do que motivou a tristeza de Paul, cantada por ele e por Anna.

Avant La Haine (traduzido)

Saiba, minha linda, que os amores
Os mais brilhantes se sujam
O sol sujo do dia a dia
Submetem-lhes ao suplício

Tive uma idéia inadequada
Para evitar o insuportável

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Vamos terminar, por favor

Não, eu te beijo e isso passa
Você bem sabe
Não se livre de mim assim

Você acredita que vai se sair bem dessa
Me abandonando ao léu
Do grande amor que deve morrer
Mas você sabe que eu prefiro
As tempestades do inevitável
À sua pequena idéia destrutiva

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Você diz para terminarmos

Mas eu te beijo e isso passa
Eu sei bem
Não me livro de você assim

Eu poderia evitar o pior

Mas o melhor está por vir.

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Você diz para terminarmos


Não me livro de você assim

Não me livro de você assim.

Aqui o vídeo:



www.youtube.com/watch?v=nCKihhKniyE

Créditos:

Direção: Christopher Honoré
Elenco: Romain Duris(Paul), Louis Garrel (Jonanthan), Joana Preiss (Anna).


*Isso fica bem explicitado no início do filme em que ela fala que ele estava insatisfeito com ela por 3 razões nas quais ela, premeditadamente, transfere tudo que sente para ele. E a sequência seguinte, fora da cronologia, demonstra o entedimento dele a respeito. Ele sabia que ela não o amava mais e ela sabia que ele a amava.

** Depois que ela elabora o discurso pronto do término, ele joga o travesseiro no rosto dela, que reclama como se tivesse machucado. Ele fica preocupado, pede desculpas e vai socorrê-la. Situação auto-explicativa. Ele podia ter dado uns bofetões nela, porque ela o humilhou, ofendeu sua dignidade, mas para quem ama, o amado está acima de si próprio. Lógico que na vida alternamos os papéis, mas ela sempre quis que ele a amasse. Terminou antes que ele a odiasse.

*** Ele começa perguntando " Que tipo de amor faz alguém se jogar de cima da ponte?". Ele não sabe o que é o amor, mas pelo menos, entende o que é se jogar de cima da ponte. Ele mesmo é amado e não ama.Ele tem o mesmo papel da Anna, mas ele é o irmão, quem está pra (tentar) ajudar, coisa que só a Anna não poderia fazer.

sábado, 10 de outubro de 2009

Obama: faltam apenas a árvore e o livro

Por que o Obama ganhou o Prêmio Nobel DA PAZ? Eu nem vou entrar no mérito do porque ele foi presidente. Mas prêmio nobel está virando uma coisa do tipo que se entrega a celebridades. Obama é uma celebridade. Uma representação da minoria: negra e islâmica com status de melhor diplomata do mundo, de pesidente da nação mais "poderosa" (dizem) do mundo sem ter qualquer experiência administrativa. Como o nosso presidente, saiudo legislativo direto pra poltrona presidencial. E é bem isso mesmo:Lula ganha título de doutor, Obama de PN da Paz. Veja bem: da Paz.

Agora veja voce também que a Angelina Jolie se esforçou tanto, foi visitar os flagelados pela enésima vez em algum lugar desgraçado do mundo. Adotou 3 crianças que sempre saem com ela, e nem uma indicaçãozinha? Até Obama passou a frente dela.

É estranho até um prêmio nobel ir para um presidente americano, pós-Bush, pós cultura guerrafria, pós Hiroshima e Nagazaki. EUA constroem escudo antimisseis e querem exclusividade sobre as armas nucleares. Para fins pacíficos logicamente, para fogos de artifícios como dizia o centenário Edward Teller.

O outro prêmio nobel bizarro foi de literatura pra Herta Muller. Ninguém sabe quem ela é. Só que ela escreve livrinho de mistério.Pop.

Prêmio Nobel ultimamente está virando o novo Prêmio MTV.

domingo, 4 de outubro de 2009

Caso Honduras

Demorei um pouco pra tratar deste assunto porque esperei o Lula e o governo braileiro se posicionarem. Pra saber o que nosso digníssimo presidente entende por um golpe de Estado. Ou se sabe que quem quis dar o golpe foi o Zelaya e o Congresso, à beira de sofrer uma supressão, com o Michelletti, resguardou a constituição.

Mas a posição tímida do nosso presidente é óbvia, se lembrarmos de que ele próprio queria um terceiro mandato. E toda essa polêmica foi discutida na mídia, tendo o PT, por fim, resolvido indicar a Dilma. Tendo este exemplo de Honduras, sabe-se bem que foi esta a melhor opção, porque poderia acontecer o mesmo no nosso país, ainda mais pela teoria falida do Estado Mínimo lançada pela Dilma três dias antes do "golpe" na Venezuela.

Todos sabemos que o Lula é simpatizante do Chavez. E apoiar Zelaya é estar manifestando apoio ao Chavez, que, diga-se de passagem, transportou Zelaya de jatinho até Tegucigalpa (capital hondurenha) pra que ele tentasse uma resistência, quando ele, acuado, buscou apoio na embaixada brasileira. Foi errada a expulsão pelo exército, evitando um julgamento de Zelaya pela justiça, mas erro muito maior foi o retorno dele.

Daí a comunidade internacional começa a perceber que o que o Lula está fazendo é loucura. É anti-estado democrático e que o fato de um presidente ter sido regularmente eleito não quer dizer que o mesmo possa se impor acima da constituição. E é isso que a Dilma acha fácil: a nossa constiuição é neoliberal e, por isto, entenda: defende Estado Mínimo. O poder do presidente é limitado pelos demais poderes, no sistema de pesos e contrapesos, e não pode ele se posicionar contra o que a constituição defende. E vem as olímpiadas nos informar sobre a vitória do lula sobre Obama, bem na semana em que os EUA criticam o posicionamento do Lula e o retorno do Zelaya. Ora, se Lula não reconhece o governo interino, não pode manter seus diplomatas ali. É como se a embaixada não existisse. E ela é hoje o lugar de onde o Zelaya administra a bagunça sob pseudônimo de resistência.

Segundo The wall Street journal " Zelaya foi deposto não por um "antiquado golpe militar latino-americano", mas de maneira "legal" e por ordem do Tribunal Constitucional de Honduras, depois que "agitou as ruas com protestos para poder modificar a Constituição do país".E, exatamente por isso, a melhor forma de se resolver o conflito seria a entrega de Zelaya às autoridades do país. Posição esta do governo brasileiro. que oferece abrigo a Zelaya por quanto tempo quiser.

Em contrapartida, Michelletti começa a negociar diretamente com Zelaya. E, na próxima terça-feira, chegam os membros da OEA. E, elegantemente, ele declarou que o exército não invadiria o território brasileiro, sua propriedade (a embaixada brasileira), com oquem reconhece o Brasil, e reivindica a reciprocidade. É uma atitude que apaga o erro que cometeram ao explusar Delaya. É a oportunidade que tem o Brasil ,dependendo da sapiência do nosso presidente, de tomar pra si o protagonismo da crise. E resolvê-loa, óbviamente, implicará numa mudança de postura. Mudar de lado, mais precisamente, como os EUA também mudaram.