segunda-feira, 11 de maio de 2009

Gran Torino


"Gran Torino" é um filme que trata do preconceito e do racismo americano. É uma boa demonstração de como os americanos vêem sua cultura diante das outras. Trata do sonho americano, do "lifestyle" ideal, das oportunidades que povos de outras culturas buscam nos EUA e do quanto isso incomoda os próprios americanos.

A personagem de Clint,Walt Kowalski, é de um americano típico: idoso, lutou na guerra do Vietnã, tem um carro clássico da Ford. É amargurado, teve um passado ruim, de sofrimento e a vida o fez intolerante com as pessoas. Ele não as entende, exceto a mulher. E o filme começa com o velório dela, quando os filhos tentam uma aproximação interessada. Ele sofre de um tipo de doença,talvez câncer, em estágio avançado. E, também, é vizinho de um grupo Hmong (asiáticos, de origem chinesa ou vietnamita). É uma família cujos jovens integram uma gang. As mulheres fazem tarefas domésticas e os homens se perdem. E, dentro desse universo, há um menino: Thao. Ele renega seu destino e está num dilema que é fazer oque ele quer ou seguir os caminhos que os homens de sua família seguem.

O mais importante é ver o quanto a intolerância é algo velho, inexplicável e do quanto todos aprendem a superá-la e a se firmarem perante os demais. Walt viveu uma vida triste, fez escolhas erradas, foi induzido a matar na guerra e isto o fechou perante o mundo. A única pessoa que o tinha era a mulher. As pessoas tinham uma idéia do que ele aparentava. Ele não era aquilo, mas tornou-se assim. A maioria das pessoas tomam pra si aquilo que lhes é mais conveniente. Ele errou por se distanciar dos filhos, e eles, por não tentarem estender-lhe a mão. Mas ele tinha um senso de justiça, tinha ética. Ele o externou quando salvou Thao de ser violentado pelos gângsters e a prima dele, de um estupro por negros. Eles tentam uma forma de agradecê-lo e isso inclui uma semana de trabalho prestado a ele por Thao. É uma convivência imposta, mas uma oportunidade de ele passar o que aprendeu e evitar que alguém siga o mesmo caminho que ele. O que ele deveria fazer pelos filhos e não fez.

E, ao contrário do "Sobre meninos e lobos", onde o destaque estava para a parte ruim do ser humano,"Gran Torino" parte da parte boa. Do que é imutável na natureza das pessoas. A identificação entre Thao e Walt parte disso. O destino de Thao, como o de Walt, não seria uma escolha, mas uma imposição. Apesar de matar, ter atitudes não condizentes com sua natureza, os valores dele são imutáveis. Eles se modifica perante as pessoas, contrai um câncer, ele sufoca os sofrimentos. Seus vizinhos estranhos percebem a sua bondade, ele a passa para o Thao, ele o protege, e lhe dá uma escolha.

Impressionante o simbolismo do Gran Torino e da espingarda. É uma relíquia, um carro raro, caro que todos almejam e o único bem que a família não herda porque ele deixa para o Thao que é merecedor. E quanto à arma, ele a utiliza o tempo todo, mas faz a justiça sem ela.

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