domingo, 19 de outubro de 2008

" A Dupla vida de Veronique"

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O filme é centrado em duas perosnagens de nome e aparências idênticos, que partilham das mesmas aspirações. Elas não se conhecem. Uma, Veronique, vive na Franca e a outra, Veronika, vive na Polônia. E, apesar disso, elas não se sentem sozinhas no mundo.

Veronika tem uma vida centrada em si mesma, não presta a atenção aos sinais que a vida lhe passa. Sofre de uma doença do coração, congênita e de difícil identificação, que matou outras pessoas em sua família que morrem jovens e precocemente. Vive para si, despreza o namorado e faz sexo com estranhos. Não tem muito vínculo familiar, mas tem um talento para música e acaba parando , por acidente, num concurso de música que vence e se torna uma cantora do coral. E, andando na rua, diante de protestos, vê Veronique. É o único momento em que as personagens se cruzam, mas Veronique não a percebe. Veronika morre do coração durante uma apresentação do coral.

Veronique aparece no filme a partir da morte de Veronika, quando decide abandonar a carreira de cantora, contrariando a todos. Diferente de Veronika é atenta aos sinais, intuitiva, tem presságios. Ela pressente a doença do coração e vai ao cardiologista, advinha correspondências. Tem uma relação carinhosa com o pai. Apaixona-se por um ventríloquo que a identifica numa foto (Veronika) batida por Veronique numa viagem à Polônia, registro em que ela a viu. E aí, ela chora, e começa a entender o sentimento estranho que sempre sentiu: a presença da outra.

Esse filme é uma obra aberta, Kieslowski o fez após o sucesso do Decálogo, quando também descobriu que sofria do coração. Parece ser um filme reflexivo sobre o seu drama pessoal.Do questionamentos que temos sobre a vida, sobre o famoso "se", das possibilidades que existem para que sigamos o nosso caminho. Alguns não dão atenção a esses sinais, outros vivem em função deles.

Kieslowski filmou sete finais para o filme, sem nunca se decidir ao certo qual seria o melhor. Por isso, é de difícil entendimento. O que não acontece com a Trilogia das Cores. Destaque para a atuação da Irene Jacob e para a trilha sonora. Impressionantes!


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