
Seguindo a linha do post anterior, vou tratar de temas, digamos, perigosos. Os "ismos" da vida. É um sufixo que socialmente implica em reivindicação. Não, mais que isso, em cessão. O engraçado é que depende do princípio que uma parte não pode ter vontade no acordo, apenas cumprir a vontade da outra. E a negação é tida como sinal de involução.
O feminismo é assim. A mulher viveu sempre em situação de submissão ao homem, de mãe-e-dona de casa. E hoje ela trabalha, vota e diz que não sabe cozinhar. Ela se recusa a fazer as tarefas e a se submeter ao que o machismo da sociedade impõe. É justo. Mas se ela não faz, depende de alguém que faça, e isso implica necessariamente em deslocar o problema. O homem nunca quis, nem há de querer. Então, contrata-se uma empregada ,que não deixa de ser mulher, que não deixa de ser subserviente, mas aí, o que antes era problema dos sexos, passou a ser problema social. A empregada não estuda, não tem chances de crescer. E, diferente dos países desenvolvidos, seu salário é baixo, embora o casal dependa dela.
Citei o exemplo da empregada porque, hoje em dia, qualquer pessoa pode exercer atividade doméstica e, por uma questão de conveniência, mais fácil deslocar o problema, desnaturalizá-lo. E o feminismo é uma reivindicação da classe média. A classe alta nunca questionou porque a mulher e o marido dividiam tarefas e delegavam a outros. A participação da mulher na sociedade era o questionamento comum entre as classes. Resolvido isso, fim do problema.
Claro que o feminismo não é um movimento que se restringe ao convívio doméstico. Este apenas representa a dualidade de posicionamentos. Há direitos da mulher e há direitos dos homem. A igualdade implica na relativização. Quando um se impõe em relação ao outro, o impacto passa a ser na sociedade. No caso da mulher e do marido do exemplo, o impasse entre os sexos, dentro de casa, passou a ser social e fora dela E não deixa de ser uma baita contradição uma feminista contratar uma empregada por esses motivos. E se fosse um empregado, ela não pleitearia a igualdade, mas a submissão.
Ninguém questiona os planos de saúde. Paga-se uma mensalidade X, e o plano, diante de um tempo de carência, arcará com os custos médicos em eventual enfermidade. Mas questionam o fato de a mulher ganhar menos que o homem para mesma função. Ora, se ela engavidar, ela terá estabilidade de seis meses remunerados e reintegração. Um empregado será contratado para exercer função que o direito da mulher exige e tudo custeado pelo empregador. O Estado não dá a contrapartida, mas ele dá o direito. Para o casal que contratou a empregada, a única perda será as noites de sono para amamentação.
Os ismos se garantem assim: na perda de direito alheio diverso do seu. O Estado não se sente responsável pelo problema social, a partir do sopesamento de direitos. A lógica argumentativa é a do por se opondo.Mais fácil legitimar as reivindicações e torná-las obrigatórias. Descontextualiza o problema e o analisa por si só e as conseqüências que se ajustem à nova realidade.
Mais desenhado: como empregador, meu dever de pagar corresponde a serviços prestados a mim. Se não recebo o serviço, de onde vem o direito de pagar por ele duas vezes? Da lei, a partir das diferenças de sexos. Mas tanto homem quanto mulher podem ser empregadores,. Qualquer pessoa pode. A diferença é situação econômica - problema social de classes-. Só que quem ganha mais, contribui mais para o Estado. A empregada doméstica não tem todos os direitos da sua patroa. Tem menos. Os encargos são menores, senão ninguém a contrataria. Para casal de classe média ter uma empregada, o Estado diminui desta os direitos. Mas para o patrão da patroa de classe média, aumenta-lhe os deveres.
Os extremos sociais arcam com benefícios do intermediário. Por isso,talvez, a classe média é a que mais perde com a tributação. Ela paga por obrigações que o Estado deveria ter em relação às demais. Os seus direitos "diferenciados" se dão pelo critério mais "democrático": a quantidade de individuos. O patrão paga pela classe média que deixa de pagar á pobre. O Estado recebe de todo mundo em cima das contribuições trabalhistas obrigatórias.
Se analisássemos o conjunto fechado, justo seria a empregada ganhar metade do salário do casal e o empregador ter o "seguro" em cima do trabalho da mulher. E o Estado tributar igualmente a todos em cima do quantum que lhes for remunerado
* Sensacional foto de Simone de Beauvoir, autora dos dos livros "o segundo sexo", precussora do feminismo. Um brinde à literalidade dos exemplos copiados.
O feminismo é assim. A mulher viveu sempre em situação de submissão ao homem, de mãe-e-dona de casa. E hoje ela trabalha, vota e diz que não sabe cozinhar. Ela se recusa a fazer as tarefas e a se submeter ao que o machismo da sociedade impõe. É justo. Mas se ela não faz, depende de alguém que faça, e isso implica necessariamente em deslocar o problema. O homem nunca quis, nem há de querer. Então, contrata-se uma empregada ,que não deixa de ser mulher, que não deixa de ser subserviente, mas aí, o que antes era problema dos sexos, passou a ser problema social. A empregada não estuda, não tem chances de crescer. E, diferente dos países desenvolvidos, seu salário é baixo, embora o casal dependa dela.
Citei o exemplo da empregada porque, hoje em dia, qualquer pessoa pode exercer atividade doméstica e, por uma questão de conveniência, mais fácil deslocar o problema, desnaturalizá-lo. E o feminismo é uma reivindicação da classe média. A classe alta nunca questionou porque a mulher e o marido dividiam tarefas e delegavam a outros. A participação da mulher na sociedade era o questionamento comum entre as classes. Resolvido isso, fim do problema.
Claro que o feminismo não é um movimento que se restringe ao convívio doméstico. Este apenas representa a dualidade de posicionamentos. Há direitos da mulher e há direitos dos homem. A igualdade implica na relativização. Quando um se impõe em relação ao outro, o impacto passa a ser na sociedade. No caso da mulher e do marido do exemplo, o impasse entre os sexos, dentro de casa, passou a ser social e fora dela E não deixa de ser uma baita contradição uma feminista contratar uma empregada por esses motivos. E se fosse um empregado, ela não pleitearia a igualdade, mas a submissão.
Ninguém questiona os planos de saúde. Paga-se uma mensalidade X, e o plano, diante de um tempo de carência, arcará com os custos médicos em eventual enfermidade. Mas questionam o fato de a mulher ganhar menos que o homem para mesma função. Ora, se ela engavidar, ela terá estabilidade de seis meses remunerados e reintegração. Um empregado será contratado para exercer função que o direito da mulher exige e tudo custeado pelo empregador. O Estado não dá a contrapartida, mas ele dá o direito. Para o casal que contratou a empregada, a única perda será as noites de sono para amamentação.
Os ismos se garantem assim: na perda de direito alheio diverso do seu. O Estado não se sente responsável pelo problema social, a partir do sopesamento de direitos. A lógica argumentativa é a do por se opondo.Mais fácil legitimar as reivindicações e torná-las obrigatórias. Descontextualiza o problema e o analisa por si só e as conseqüências que se ajustem à nova realidade.
Mais desenhado: como empregador, meu dever de pagar corresponde a serviços prestados a mim. Se não recebo o serviço, de onde vem o direito de pagar por ele duas vezes? Da lei, a partir das diferenças de sexos. Mas tanto homem quanto mulher podem ser empregadores,. Qualquer pessoa pode. A diferença é situação econômica - problema social de classes-. Só que quem ganha mais, contribui mais para o Estado. A empregada doméstica não tem todos os direitos da sua patroa. Tem menos. Os encargos são menores, senão ninguém a contrataria. Para casal de classe média ter uma empregada, o Estado diminui desta os direitos. Mas para o patrão da patroa de classe média, aumenta-lhe os deveres.
Os extremos sociais arcam com benefícios do intermediário. Por isso,talvez, a classe média é a que mais perde com a tributação. Ela paga por obrigações que o Estado deveria ter em relação às demais. Os seus direitos "diferenciados" se dão pelo critério mais "democrático": a quantidade de individuos. O patrão paga pela classe média que deixa de pagar á pobre. O Estado recebe de todo mundo em cima das contribuições trabalhistas obrigatórias.
Se analisássemos o conjunto fechado, justo seria a empregada ganhar metade do salário do casal e o empregador ter o "seguro" em cima do trabalho da mulher. E o Estado tributar igualmente a todos em cima do quantum que lhes for remunerado
* Sensacional foto de Simone de Beauvoir, autora dos dos livros "o segundo sexo", precussora do feminismo. Um brinde à literalidade dos exemplos copiados.
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