sexta-feira, 4 de julho de 2008

Análise da atuação das FARCs e libertação de Ingrid Betancourt

Dia 2 de julho, foi libertada a Ingrid Betancourt, a mais importante seqüestrada (estima-se cerca de 7 mil pessoas) de toda história da FARC. Foram 6 anos de desaparecimento, engajamento de seus filhos e do governo Uribe para a sua libertação. Uribe, no segundo mandato, pleiteia mudança constitucional para um terceiro mandato.

A FARC é um grupo terrorista de fundamentação ideológica comunista. Surgiu em em 1964* e tem apoio dos esquerdistas da América do Sul : Hugo Chávez, Evo Morales e até mesmo do Lula. A fonte de recursos deste grupo se dá justamente pelo tráfico de drogas, onde dominam todas as fases de produção dentro da Colômbia. Agem com atentados à bomba, minas terrestres., infiltrações no governo e na política, pelos seqüestros, etc. São guerrilheiros armados que negociam com governantes de vários países e são alvo de muito interesse político. São anti-MERCOSUL também, obviamente.

Analisando a cronologia do seqüestro da Ingrid, é possível entender e relacionar toda atuação do governo atual, a resposta das FARCs e o momento pelo qual passa a América Latina hoje.

Começa com a campanha de 2002. Ingrid Betancourt, então senadora, estava em campanha presidencial (coordenada por Clara Rojas, libertada este ano). Ela agia dentro da Colômbia em prol de um processo de moralização política, combatendo a corrupção, a insegurança gerada pelas FARCs e grupos rivais **. Uribe foi eleito com 70% dos votos e sua linha de atuação política, tinha como ponto principal o combate ao paramilitarismo e afastamento de qualquer tipo de negociação com esses grupos. Pra isso, teve apoio dos EUA. Durante todos esses anos, conseguiram analisar e investigar a linha de atuação dos guerrilheiros e, aos poucos, encurralando-os a partir de Bogotá, retomando o controle e a segurança.

O seqüestro de Ingrid foi o mais importante pela sua poularidade, influência política dentro da Colômbia e linha de defesa. Queriam forçar uma negociação junto ao governo ***, que não os reconhecia e estava ganhando no processo de desmilitarização. A reivindicação dos guerrilheiros e defensores é, também, um reconhecimento e formação de um partido político e a retirada da organização da lista internacional de terroristas (não se consideram terroristas). E isso tem influência e apoio vindos da Venezuela, de Chávez, e também do Brasil, de Lula, que são favoráveis à FARC e anti-Uribe, embora em relação a este último, a ação do MERCOSUL tem sido isolacionista, gerando reprovação do governo Chavez, Morales, reconhecidamente comunistas.

A atuação lulista nas negociações internacionais é por demais egoísta. Ele não tem prestígios junto aos governos latinos, e sua atuação é puramente comercial, quase nada em prol de uma integração política. E isso tem gerado descontentamento por parte dos integrantes do MERCOSUL (Argentina e Venezuela principalmente) e dos demais (Bolívia e a própria Colômbia). Ele está minando o acordo econômico, retrocendendo á evolução do mesmo e impondo domínio a partir da economia sobre os demais.

Em 2006, Uribe é reeleito. A FARC volta a a seqüestrar políticos 12 deputados e mostra Ingrid ainda viva, apesar de todos esses anos, em sucessivos fracassos, Uribe tentar resgatá-la e dando continuidade ao processo de desmilitarização.

Em 2007, começa-se a se ter uma mobilização por parte dos filhos de Ingrid, mediação de Chavez nas negociações junto às FARC - tentativa frustrada de afastar a influência americana também-, em prol da libertação de Ingrid, que já julgavam estar morta. E ,neste ano, finalmente, ela é libertada.

Há diversas especulações, várias análises políticas e posicionamentos em relação ao seqüestros e mudança de posicionamento das FARC. Uma delas, a do professor da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira da Silva. Sempre há uma teoria da conspiração e uma reinvindicação. Neste posicionamento em específico, há uma análise em cima da situação política dos países latinos e também uma contradição: ele é escritor de um livro sobre a Betancourt e defensor das FARC. Em certos pontos,demonstra alguma coerência, embora bem utópica.

Não se trata a visão analítica deste conflito, de uma defesa ou reconhecimento da atuação abominável da FARC nos últimos anos. Muito menos da validação de suas reivindicações e integração comunista dos países latinos americanos. Muito menos de se ver a atuação de Betancourt, Chavez e dos guerrilheiros um revival de Simon Bolívar e uma implantação do comunismo na América.

Existe um interesse de Uribe em se perpetuar no poder evidentemente. E ele tem sido garantidor da ordem - daí remeto ao post anterior, na citação de Ghoete- dentro do país. E disso, ele saiu vitorioso, ao contrário do Chavez. E, também, é de interesse do continente que as FARCs sejam dominadas, uma vez que representam um perigo comum. Uma atuação violenta que extrapola a soberania colombiana chegando ao Brasil ,mediante dos conflitos com os sem-terra.

Os partidos políticos comunistas estão se enfraquecendo. Há um descrédito por parte dos eleitores na sua reivindicação. E a ordem tem sido mais importante que a justiça. Sinal de que os valores do estado democrático vêm sendo consolidados.

É preciso que isso continue, para que não tenhamos um retrocesso, a volta dos golpes de estado e volta do terror. E que, prncipalmente, a análise da atuação dessas minorias seja reavaliada pra se limitar os interesses e que a violência seja efetivamente repudiada.


*Impressionante a cronologia. A associação da ação do MP do RS aos sem-terra tem justamente a remissão ao discurso anticomunista pré 64.

** Dentre os reacionários à FARC, ou paramilitares, tem-se : Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN) e s Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

*** Especula-se que, para a soltura de Ingrid, houve a liberaçãode 20 milhões de dólares à FARC. Estratégia americana e do próprio governo para justamente macular negociações feitas anteriormente.

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