quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sobre a crise dos combustíveis


Sou completamente a favor da política dos biocombustíveis. Não é o ideal, mas é o certo a se fazer. Só que, obviamente, esbarramos no problema dos monópolios. EUA e Brasil são os maiores produtores de etanol do planeta. O primeiro o extrai do milho e, o segundo, da cana. E ambos os países detém também a exploração do pretróleo, que eles consomem. São auto-suficientes.

O Brasil pode, como dizem, não ser digno de entrar pra Opep. Mas, nem tão pouco, é dependente dela. Tem a quarta maior empresa do mundo que também está envolvida no comércio de etanol. E ainda temos a política de carros flex. Tudo suficientemente favorável à redução do preço do petróleo, do qual a maior parte do mundo ainda é dependente. Por isso, a Opep não baixa os preços.E além de aumentá-los prasabotar a concorrência, legitima isso ao estilo da fábula "O Gato e o Galo " de Esopo. Falam que o etanol é responsável pela alta de alimentos no mundo. E a França endossa. Os europeus também queriam produzir biocombustíveis, mas não têm espaço. E isso, o Brasil tem de sobra.

E essa crise dos alimentos tem dois fatores que o Al Gore já disse que aconteceriam: o crescimento populacional, principalmente da China, e os problemas ambientais. A Austrália está com uma seca que prejudicou a sua produção de trigo. O terceiro fator é justamente a alta do petróleo, porque o transporte depende dele. Só que o petróleo, indiscutivelmente, é um problema. Então, é isso que a Opep faz: joga a culpa no etanol, encontra apoio da UE, que também já gasta muito com etanol, mas não pode produzí-lo - e quer investir em outros biocombustíveis-. A questão dos alimentos é bem secundária. Pelo menos quanto a isso. Porque, num mundo onde muita gente passa fome, falar da falta de alimentos comove. Só que, no Brasil, o etanol não tira terras da agricultura, que, inclusive, está em constante crescimento. Pode ser um problema para os americanos, porque milho é alimento.

Quem produz petróleo, não se preocupa com a falta de alimentos, nem com o ambiente. Quem utiliza etanol, quer uma fonte alternativa pra obter lucro, e não continuar tão dependente de petróleo. Então, a guerra etanol x petróleo não tem nada a ver com a crise dos alimentos. É um fato que não os preocupa, mas uma "desculpa". Desculpa que busca sempre aliar convêniência e oportunidade.

Diante disso, confirmamos o quanto a questão da valoração da vida humana é irrelevante para a comunidade internacional. Se pessoas morrem de fome, resolve-se uma crise de alimentos, por consequência, aumenta-se a produção de biocombustíveis, diminui-se o preço do petróleo e a poluição com CO2 na atmosfera. Resolve-se o problema do ambiente. Se diminuir o etanol, o preço do petróleo baixará também, e por conseqüência o dos alimentos. A alta é pra controlar o mercado e derrubar o etanol, mas o ambiente sai em desvantagem.

Não importa se você está do lado do etanol ou do petróleo. Se um ou outro ganhar, não implicará na resolução do problema de quem tem fome. Nem as organizações internacionais se empenham nisso. Então, a quem não tem quem olhe por si, só resta contar com Deus.

Um comentário:

Fabio. disse...
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