domingo, 11 de maio de 2008

Reflexão do dia


Da mesma forma que ao tomarmos conhecimento do funcionamento das coisas, vamos criando um juízo crítico, aqueles que não conseguem ou não querem ter tal percepção, vão cada vez mais sendo massacrados pela visão distorcida das coisas. Eu digo em relação à imprensa, às notícias, ao tipo de enfoque que se dá às coisas inúteis. Acaba-se, com isso, se sobrecarregando os dois lados: o interessado na falta de informação e o outro que consome pela pura falta de opção.

A cultura hoje é vista como um feitiche. Uma exclusividade de poucos que tiveram acesso a uma boa educação e que se utilizam dela apenas pra ter status. O status do indivíduio para a sociedade acaba sendo uma diferenciação que ele tem de si mesmo diante dela. A cultura o diferencia, o dinheiro o diferencia. A cultura está associada ao dinheiro e você é aquilo que a sociedade pensa de você. A reputação tem mais valor que a personalidade.

É muito triste, você, com pouco, conseguir se virar pela falta de grana, ou compensar determinada dificuldade, e ter que falar sozinho na rua, pensar com você mesmo, parecer um maluco, nerd, porque não tem ninguém pra conversar, discutir. Ninguém com uma boa argumentação pra te enfrentar, ninguém que entenda suas ironias. Os outros não o entendem e você acaba se sentindo idiota. E você não vai dizer pro mundo que ele é patético.


Acabamos por viver acuados. Cercados de gente patética, de inutilidades, de futilidades trazidas pelo dinheiro, de ridicularidades a que muita gente - que tem discernimento e opta por ser bitolada- se submete só pra aparecer na mídia. Ser notícia, ter um diferencial, ser elite. Uma (de)gradação.

A pior forma de depreciação do ser humano é esse culto à mediocridade. É sinal de ausência de referências. Faz com que aqueles que têm uma percepção menos turva das coisas, sintam sua existência como um desperdício no meio de tanta coisa patética que é valorizada.

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