domingo, 11 de maio de 2008

Carta à socióloga

Acho que é o fim da socióloga na minha vida. Talvez mencione se ela me responder, mas acabou-se tudo! Apenas queria que ela entendesse que ela está trazendo o passado para a realidade que ela vive agora. E está concordando com outro tipo de violência cometido agora.

Em defesa às acusações feitas por você no blog


Eu sou o Fábio dos posts escritos em relação à Dilma no blog. Vim aqui tentar explicar o que eu quis dizer e responder a duas acusações que você me fez. A primeira, de que eu era defensor da ditadura (e estava usando o Agripino como escudo) e, a segunda, em relação à Sociologia, onde eu relacionei o seu raciocínio à ciência.

Quando eu vi seu post mencionando o discurso da Dilma, a primeira coisa que eu pensei foi: “não acredito, que ela não percebeu que a Dilma SÓ queria desvirtuar o assunto”. Foi demagogo demais. O que aconteceu foi que o Agripino queria sutilmente (mesmo sem capacidade intelectual para tanto) atacar o discurso dela. Dizer que ela era mentirosa e hipócrita. Do tipo “se você mentia num regime ditatorial, imagina num regime democrático”. O que ela, de fato, tem feito é tentar descriminalizar esse vazamento de informações. Primeiro, foi dizer que não era crime obter as informações. Agora, não sei se você viu o JN de ontem (dia 9/05), ela está sustentando que as informações têm validade. Só não podem ser levadas a público as informações sigilosas do ATUAL governo. Lembrando que os gastos pessoais do Lula não foram abertos.

Quando mencionei os direitos fundamentais, eu disse que era sob o aspecto conceitual. O Agripino verbalizou o fato de a Dilma - ressalte-se: na condição de agente político - estar envolvida no vazamento de informações sigilosas (que objetivam resguardar o direito, fundamental, de intimidade) e mentir, sabendo que oprime um cidadão e se trata de crime contra a Administração. E isso feito num Estado Democrático que, além de ter os direitos fundamentais como princípios, prevê uma série de garantias a eles. É a base do sistema. Ele não discutiu os direitos fundamentais, mas a violação deles. De forma subtendida. Com a Dilma no outro lado.

Quanto à tortura, no regime ditatorial, não havia garantias, a sociedade não se manifestava, e aquilo NUNCA foi feito camufladamente. Todos sabiam e aceitavam. Por mais odioso que fosse. A tortura era um meio de arrancar confissão e informação. Violava direito à vida, expressão, integridade física, entre outros. Ainda mais depois do AI -5, que suspendeu o HC, o Congresso, etc. Existia o direito, não existia a norma garantista. Não havia eficácia jurídica, nem social. Dentro do regime ditatorial, isso não era incoerente, porque ele foi iniciado num golpe de estado, que suspendeu o congresso, dava poderes ilimitados aos militares que governavam. Era uma calamidade, guerra civil. Terrorismo de esquerda e de direita. Na ditadura, não tinha direitos humanos. Nem de fato, nem de princípio. Ser democrata, era ser criminoso, porque não havia direitos políticos,nem possibilidade de qualquer reunião. E não havia controle do Executivo.

O que eu ressalto disso é que, embora existam diferenças óbvias entre os dois regimes, a ética da Dilma mudou. Ela mudou de situação e de referencial. Valeu-se de uma posição junto ao Estado, pra obter privilégios pessoais. E isso tudo às custas de um dossiê, ilegal, violando direitos fundamentais de intimidade, além de outros crimes contra a Administração. Para um estado democrático, isso é gravíssimo. Viola seus princípios. E aí que descamba. As pessoas querem raciocinar em relação à tortura na ditadura, com o pensamento democrático, e querem sopesar direitos. "Tortura, na ditadura, é mais grave que a violação da intimidade no estado democrático". Não é bem isso.


Num estado democrático, valer-se de uma posição junto à Administração pra violar direitos fundamentais de outrem, sabendo que, por ser agente político, é salvaguarda da proteção de tais direitos, isso sim, é agir com violência. E não é o congresso questionando o Executivo? Então para o nosso ordenamento atual, tem a mesma natureza que a tortura.

Eu sou tão defensor do sistema democrático, que fico revoltado com a atitude da polícia, promotor e juiz no caso da Isabela, no estímulo à barbárie. Em como, neste caso, o Estado tem sido incentivador , junto com as imprensa.

Também chega a ser chocante a opinião de algumas pessoas no blog. Tanto pela falta de conhecimento, quanto pela falta de respeito, de procurar entender a opinião a ser criticada. E isso inclui uma advogada que teve erros primários. Conceituais.

Quanto ao fato da sociologia e seu raciocínio, não é apenas em relação a você. Todos os sociólogos que eu conheço são assim. É uma opinião e uma constatação. Eu percebi que, em muitos casos, eu acompanhava seu raciocínio até determinado ponto. A gente concorda sobre o “ser”, mas o “deve ser”, você não enfrenta. Você é pragmática. Você pensa na realidade, no problema, mas não propõe solução. Você não vai nas conseqüências.

Por exemplo, no caso da educação, você fala que o problema é a diferenciação de certificados de ensino superior e eu digo que não, que se trata de uma conseqüência da diferenciação do segundo grau. Você, então, fala que eu estou deslocando o problema para o segundo grau. Que ensino superior dá um up na vida do indivíduo e é fundamental para ascensão social. Se é flagrante, pra mim, a importância do acesso à educação no ensino médio, pra você, o importante é abrir as portas da classe média e universalizar os diplomas. Você acha que a classe média exclui a pobre, tirando-lhe as oportunidades.

Aí, o governo, por conveniência, faz como você pensa, faz a lei de cotas. Agora, todo mundo ataca a constitucionalidade da lei. E ela é flagrante, claro, mas sustentam sociologicamente, pra manter uma situação de discriminação. Pra eles, ótimo, porque se livram do dever do Estado de garantir uma educação de qualidade.

Eu sou advogado, penso nas conseqüências jurídicas, nos direitos, você numa solução imediatista, porque o seu discurso em si não vai na falta de um direito, mas num problema social.

É complicado explicar, porque eu li vários posts seus, conheço sua forma de pensar, e espero determinadas reações. Menos essas especificamente.

Não me estenderei mais, abusando da sua paciência em ler, mas por mais que a gente deva ignorar, por ser internet, pra mim, é tão difícil encontrar pessoas com quem se pode discutir. E quando eu acho algo útil pra mim – eu vejo seu blog assim, embora você ache que eu quis aparecer- participo, não sou entendido, fico inquieto. Acabo respondendo.

É isso. Espero que tenha me entendido e reconsiderado sua posição.

Att.,



E ela respondeu assim:

"Leia mais. Pense mais. Etc.
Nosso problema nao é de discordancia. É de percepção. Vc nao percebe o que está dizendo. E nao se defende das acusações. Pelo contrário. Vc se posiciona EXAMENTE como acusado.
ué.
até. "

Vamos pensar então: Como alguém se posiciona como ACUSADO exatamente?

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