terça-feira, 13 de maio de 2008

Um apólogo

"Um apólogo" é o nome de um dos contos do Machado de Assis. Trata-se de uma fábula entre uma linha e uma agulha que discutiam quem era mais importante. A agulha dizia que, graças a ela, os cortes de tecido viravam vestidos, abrindo os caminhos para a linha emendá-los. A linha dizia que ela o mantinha inteiro e ela ía para as festas nos vestidos das madames, conhecia o mundo e a agulha voltava para sua caixinha de agulha, para fazer novos vestidos. Aí, um alfinete diz à agulha:

"— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. "

O conto termina com o escritor, contador, levando-o ao professor que lhe diz: "Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Tem gente que vive só pra aparecer, uns poucos conseguem. - não querendo isto dizer que mereçam - . Outros se iludem pensando no que são, e relacionam a felicidade à ignorância. E quando se diferenciam dela, sentem-se satisfeitos, mas não passam de top top da massa de manobra. Estes é que me preocupam, porque eles são os alfinetes.


Na mnha estória, não há protgonistas. Até mesmo eu sou apenas narrador, que também é personagem. E quando não agrado na estória dos outros, espontaneamente, retiro-me dela. "Seria a agulha uma arrogante metida a inteligente?". Pra linha ordinária, sempre será. E feliz, a linha não acha que uma agulha seja capaz de ser.E sequer poderia dizer o que lhe viesse a cabeça:

"— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar (de insuportável)? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros."

De resto, estou sempre à procura de quem vale à pena, e, alguns poucos, consegui recrutar aqui. Sempre com critérios , e a ignorância não é meu referencial.

- Achou pouco?


Então, porque aqui é espaço da agulha e não faria sentido estar a linha ordinária. O mundo todo já é dela.

*Na dúvida se já é de domínio público, faço as devidas referências a Machado de Assis, o mulato sabido de Oswald Andrade.

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