
Campeão de indicações ao Oscar e ainda conseguiu me surpreender. É um filme com estória simples. Trata do rei George VI (Collin Firth), que tinha sérios problemas de gagueira, que inicia tratamento, a pedido de sua mulher, com Lionel Logue (Geoffrey Rush), um fonoaudiólogo alternativo, que o trata e o faz desenvolver seus discursos.
Uma coisa que eu acho engraçada nos filmes ingleses é a humanização que eles fazem da família real. Eles tentam sempre colocar a família real com, o se tivessem uma vida absolutamente normal e simples como qualquer outra família de comercial de margarina. Papai, chamado de "papa", que conta estorinhas infantis pras criancinhas, cheias de mensagens de ética e amor. E a esposa dedicada e simples, que não se importa de tomar chá sozinha na casa de um civil, nem de falar normalmente com a esposa do Lionel. Cena ótima, mas Helena Boham Carter, também ótima, fazendo o papel da grande mulher por trás do grande homem. Do irmão de George que abdica do trono, por amor a uma americana adúltera. Outra coisa: ingleses não toleram muito americanos. Eles o colocam sempre abaixo.
Impressionante como a Helena, longe do Tim Burton, é muito melhor. Já é implicância minha com ele, admito. Odeio diretores superestimados e o Tim Burton consegue ser uma porcaria na minha visão. E ele involui a cada trabalho, o que o torna ainda mais irritante. Já ela, não, é uma ótima atriz. No filme, está um pouco caricata, lógico, mas mis pelo estereótipo de nobre inglesa, que propriamente por demérito dela.
Geoffrey é o melhor ator do filme, seguido bem de perto pelo Collin Firth. Ele só consegue curar as pessoas tornando-se íntimo delas, pondo-se de forma igual, um contraste com os médicos reais, cheios de referências e status. Firth fez um gago com traumas na infância, um homem que aceita sua falta de dom para o discurso, cuja gagueira incomoda quem assiste, no sentido de ser doloroso pra ele. Rush já faz o médico louco, carismático, bem articulado, desinibido que sabe se impor e torna-se amigo do rei, à medida que vai ganhando sua admiração. Chega até mesmo a saber de detalhes da vida pessoal do rei, dos traumas de infância, da relação com o irmão e o pai, do desespero dele diante da renúncia do irmão.
A cena final também é perfeita e comovente. Perfeitos o diretor Tom Hooper e o roteirista David Seidler. Não vejo como este filme poderia ser melhor.
O próximo filme que irei assistir será "O Vencedor" pra ver o porquê do Christian Bale ter tirado o Oscar do Rush.
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