Eu vi apenas o filme, não vi os comentários dos atores, diretor, etc. e vi no mesmo dia em que eu postei aqui. O problema de se lidar com filmes cults é ter que ir de encontro com o que os fãs pensam. Interpretação tem limites e eu não acho que o diretor do filme faria um comentário sobre o final do filme, entregando do que realmente se trata, ainda mais sabendo que os fãs criaram toda uma teoria sobre viagem no espaço, o que faz parecer genial, algo que, sinceramente, não acho que tenha sido a intenção do autor, mas criação de fãs.
Se você sustenta essa teoria de superpoderes premonitórios e de alterar o futuro, você ignora detalhes do filme e cria um monte de furos. Questionamentos que o filme, por si só, não responde. Não teria a menor relevância o Donnie ser esquizofrênico, não faria sentido ele morrer, já que ele morreria sozinho, sua namorada e a Samantha também, porque a diferença da história dos 28 dias é que o que ele mais temia, morrer sozinho, não ocorre com ninguém, nem com o Frank. Ele cria uma história que não tem nada a ver com o que acontece, porque ele não vê sentido na forma como as pessoas encaram a vida. Desde família, escola, busca por Deus, auto-ajuda, etc. E tudo isso é explicitamente criticado, não é subjetivo.
A trilha sonora passa de forma videoclíptica, na quase integralidade e sempre alta. Porque a letra é importante. E as ações que o Frank o manda praticar são feitas de forma desmotivada. "THEY MADE ME DO IT" é o que ele escreve no pátio da escola. Por que "eles"? porque, por todo o filme, ele é acompanhado dos dois amigos imaginários que você vê no ponto de ônibus.Até na última cena, quando o Frank leva o tiro, eles estão lá. Eles sempre estão em segundo plano, um de cada lado e o Donnie no meio. O abafador de orelha que ele pega Cherita também tem um simbolismo. Ele diz a ela que as coisas iriam melhorar pra ela. Ele diz pra si próprio, porque ela é uma pessoa solitária, depressiva e sofre de bullying, como ele também. O abafador é pra não ouvir as vozes imaginárias. Depois da cena, do caderno no chão, vê-se o Donnie usando os abafadores.Sozinho, sem os amigos.
A trilha sonora passa de forma videoclíptica, na quase integralidade e sempre alta. Porque a letra é importante. E as ações que o Frank o manda praticar são feitas de forma desmotivada. "THEY MADE ME DO IT" é o que ele escreve no pátio da escola. Por que "eles"? porque, por todo o filme, ele é acompanhado dos dois amigos imaginários que você vê no ponto de ônibus.Até na última cena, quando o Frank leva o tiro, eles estão lá. Eles sempre estão em segundo plano, um de cada lado e o Donnie no meio. O abafador de orelha que ele pega Cherita também tem um simbolismo. Ele diz a ela que as coisas iriam melhorar pra ela. Ele diz pra si próprio, porque ela é uma pessoa solitária, depressiva e sofre de bullying, como ele também. O abafador é pra não ouvir as vozes imaginárias. Depois da cena, do caderno no chão, vê-se o Donnie usando os abafadores.Sozinho, sem os amigos.
Em relação ao que o diretor e ator andam dizendo, sinto muito. Existe uma coisa que se chama metalinguagem. O filme é muito direto em relação a isso. Até nas letras da trilha sonora. Então, pra mim, vale o que é mostrado, não o que o diretor fala.
Pela versão do diretor, pelas cenas originalmente gravadas e cortadas da versão original, conclui-se que ele propõe mesmo que o Donnie cometeu suicídio e que seria mesmo o filme uma explicação entre as causas e a visão que ele tinha dos fatos e das pessoas. E é bem constante a repetição de determinados gestos. São ora memórias, ora como ele gostaria que acontecesse.
Os bilhetes da geladeira são escritos por ele e a família os ignora. Ele volta pra casa no início(passa pelo carro do Frank) e ninguém repara que ele não dormiu fora, apesar do bilhete “Aonde está Donnie?”. A irmã dele entrega que ele não tem tomado os remédios pra se vingar, diz que não é nada demais. A mãe vai perguntar se ele foi jogar papel higiênico na casa dos vizinhos , como se ele não fizesse nada de grave, quando não toma os remédios e vai “dormir”.
Ele sofre de bullying na escola (ele se identifica com a Cherita). É repetente e não tem amigos. Isto, a gente sabe pela psiquiatra. Daí, concluir-se que os amigos dele no filme são imaginários. Na escola, que surgem a teoria das oposições: destruição x recriação (na aula, pouco antes de ele destruir a escola), amor x medo (teoria do JC, que revoluciona a forma das pessoas verem as coisas). A oposição principal, representada pelo Frank (que é o cara ”amaldiçoado,” que o pai do Donnie comenta com a mãe) X Donnie. Frank está morto. Em vários momentos, cita-se morte e busca por Deus.Ele pode visualizar como o namorado da irmã. Frank é como o pai dele fala, ou seja, filho do amaldiçoado.
A turbina do avião tem um simbolismo: remorso. Ela destrói a casa, que representa a família, logo, se vc considerar a existência da turbina, a morte seria presumida pela queda da turbina, o que absolviria os pais e a irmã pela negligência. Ele deu sinais, e a família os ignorou.
A teoria do universo paralelo, representada pela Roberta Sparrow, seria um mundo onde as coisas seriam diferentes , porque, pra ele, neste mundo (real) ele teria que morrer. Como se fosse importante e não houvesse escolha. O que ele diz à RS seria como uma carta de suicídio. Ela quem diz a ele que todas as criaturas morrem sozinhas. Seria como se ele fosse apenas dormir, e ir pro universo paralelo.
A cena em que a psiquiatra menciona sobre os placebos é uma metáfora.Placebos não têm efeitos medicinais, mas o cérebro acredita serem de verdade. É uma referência entre ser agnóstico e ateu. Realidade e ilusão.A fé é a forma como se faz o cérebro, que comanda o corpo, acreditar que pode acontecer.
Enfim, eu acho exatamente o contrário do que disseram: se você coloca o filme como sci fi, você o empobrece culturalmente. Existe toda uma linguagem e uma série de simbolismos que estão nas entrelinhas da história e isso inclui alguns personagens, além do filme e da literalidade visual.
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