sábado, 20 de dezembro de 2008

Existem momentos em que a gente se questiona a respeito da persistência. Mais pela facilidade de se dar ouvidos ao que os outros falam sobre a gente do que propriamente tirar o foco do que se almeja. Principalmente quando não depende totalmente da gente. E concurso é isso. É algo que não vai só da competência e do esforço. Vai muito da sorte também. Eu diria que até mais da sorte. porque sempre existe alguém que se esforça, se sacrifica, mas não tem sorte. E sem ela, não passa. E o contrário também: o cara não fez por merecer, e, como quem não quer nada, faz a prova e passa. E passa bem, pra mostrar que todo seu esforço não é essencial. Que, com muito menos esforço, teve mais que você.

Esses últimos tempos têm sido uma experiência nesse sentido pra mim. Se, por um lado, ver quem não merece passar, dá a esperança de que "qualquer um pode, de fato", por outro , a gente não sabe a nossa hora, parece que não é pra gente. E isso acaba com a motivação. Não é fácil. Nem é inveja, porque dizer que alguém não merece é algo relativo, de valoração. Se dedicação e estudo fossem mais importantes que sorte, quem estudasse seriamente passaria. E os que não se esforçam é que passam antes e mais do que os que sacrificam tempo e vida social em prol do estudo.

E nisso, a gente pensa numa série de coisas: no vestibular, no que se deixou de fazer, na facilidade que a família tem de nos destruir psicologicamente porque estão sem marketing pros outros. Porque, diante de tudo isso, para os outros, somos todos vagabundos. Estudar até passar não é coisa de gente limitada, é de gente que se valoriza e quer resolver a vida. Porque para pagar suas contas e dar-lhe um emprego, ninguém se oferece.


"Console-se, é evidente:
um dia ainda vamos rir de tudo isto
histericamente"

Luis Fernando Veríssimo.



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