domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre imagem


A cada dia que passa, as minorias vão ganhando mais força. E também vai surgindo um mercado voltado somente pra elas e, também, atos do Estado a fim de "corrigir" as desigualdades que as oprimiram por muito tempo. Ação reparadora, mas retrógrada, porque ela disciplina uma nova realidade tomando como parâmetro uma situação que não perdura mais. Se você direcionar algo ao mercado "comum", a minoria vai se sentir ofendida. Porque a imagem dela é estereotipada e o senso comum a vê determinado segmento como inferior ou não-digno de consumir tal produto. Um exemplo típico são os "estereótipos sexuais".

E uma coisa que eu acho engraçada é que o mercado para os homens é o mais óbvio possível. Basicamente a cerveja, o aparelho de barbear, as revistas de mulher pelada. Surgiram os metrossexuais, criação do mercado, com o intuito de"afeminar" os homens, tornando-o mais consumistas com produtos de beleza, vestuário, saúde. Coisas tradicionalmente direcionadas às mulheres, tidas como mais consumistas e, por isso, com maior atenção do mercado. E a mulher feminista é o motor propulsor pra outros grupos. Se o sabão em pó tem micropartículas, que são homens fortes e másculos capazes de tirar a sujeira, a interpretação é de que a mulher não seria capaz de fazê-lo. Teriam que ser super-mulheres, ou micropartículas andróginas, já que tanto o homem quanto a mulher podem se encarregar de serviços domésticos. É a síndrome da dona de casa, que ganhava coisas de cozinha no dia das mães.

A propaganda não tem função educativa, ela induz ao consumo. E também é reflexo dele. A cerveja é representada pela mulher gostosa porque os homens consomem mais. As micropartículas do sabão em pó são homens fortes,porque as mulheres que compram mais. Só que tudo tem que ser mal interpretado. A minoria se sente excluída pelo comercial, por isso, se volta contra ele. E acaba que a polêmica promove o produto.

O problema do discurso das minorias é a negação do contrário. Não existe preocupação delas em criar uma imagem própria e positiva. Se a sociedade é preconceituosa, eles se voltam contra a sociedade. Se as paradas gays mostram o gay como promíscuo, sempre em clima de boate, seminu e rebolando em cima de trios elétricos, esta será a impressão da sociedade em relação a ele. Aí, as campanhas publicitárias, ao se referirem aos gays, sempre terão conotação erótica. Até porque a diferenciação se dá por isso: pela estereotipação da opção sexual. Um homem sem afetações, roupas escandalosas, rebolando, etc., é um homem, e, só com a imagem, não há como diferenciá-lo.

Fato é que um discurso politicamente correto apenas evita discussões, mas não direciona, nem ajuda o posicionamento dos argumentos ou reivindicações. É uma forma de se evitar chamar a responsabilidade pra si e neutralizar os interesses. E, numa propaganda, é fatal.

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