domingo, 24 de agosto de 2008

Sobre a vitória do Zé





Quando se trata de discutir a respeito do volei brasileiro, a geração atual é a mais vencedora tanto no masculino, quanto no feminino. E há uma polaridade entre os técnicos. Na preferência e nos resultados. São formas completamente diferentes de lidar, mas o Zé Roberto leva vantagem. Ele trabalhou com as gerações que ele fez vencedoras. Zé Roberto foi responsável pelo primeiro ouro do volei, com a equipe masculina em Barcelona 92. Depois, passados muitos anos no comando daquela geração, ele passou o bastão pro Bernardinho, que durante a mesma época estava com "a geração do volei feminino" que só parava diante de Cuba. Foi a época das melhores jogadoras da história. Mas esta geração está escrevendo a sua e com mais resultados vitoriosos.


Zé é de uma integridade incontestável, honesto. Teve problemas com a Fernanda Venturini o próprio Bernardinho, mas sempre reagiu de forma elegante. Ele toma as rédeas da equipe dividindo responsabilidades e deveres. Por isso, ele sempre está bem com quem ele trabalha. E fez uma olimpiada 2008 impecável.
O Bernardinho herdou jogadores talentosos de outros técnicos- a equipe titular já existia- levou a prática do mundo corporativo para o esporte. Ele sabe fazer marketing pessoal. Treinou bem sua equipe com programas de RH- deve tê-los feito ler "A Arte da Guerra"- investimento no capital humano, estratégias de marketing, foco no resultado, etc. Só falta mesmo o programa de retenção de talentos. Ele transformou a geração num time de comandados. Pessoas que se vêem a partir dele. Como se o que eles conseguem é resultado do que o técnico faz. Ele não divide os méritos, ele torna possível. A lavagem cerebral funciona nas grandes empresas. Está funcionando no volei. Não sei por quanto vai se manter funcional assim. Nem o Bernardinho acha.


Enquanto o Zé ascende no caminho ético, correto e divide suas vitórias, o Bernardinho toma como suas. "Sou eu quem manda aqui", disse ele. A relação e´de total subserviência, não há referência de amizade, mesmo eles se chamando de família. Está na cara que é estratégia, que é falso. Quem peitou isso, saiu. E é uma pena porque esta equipe não se deu conta de sua importância , de como eles funcionariam com qualquer técnico. Foram imbatíveis por 8 anos pelo talento. Coisa que o Bernardinho não mantém com qualquer um. No clube, ele também perde. E na seleção feminina, ele não brilhou mais que ele brilha na masculina, mesmo sendo os homens de um talento superior. Ele jogou e acertou.

Por isso, torci tanto pelas meninas. Pelo Zé, pela Mari, que sofreu nas mãos da sra Bernardinho. Já disse os motivos em relação a ela, mas é sobre os técnicos este post. Taalvez justifique meu posicionamento. Quem ficou na história no volei nacional, foi aquele que age da forma que eu considero ética e admirável.


PARABÉNS, JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES!
*Que se dane o bi, se vier daqui a pouco! Só digo que não será merecido.

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