domingo, 15 de junho de 2008

Felicidade


Qual a definição de felicidade? Como se reconhece uma pessoa feliz? Eu não consigo ver genuidade na felicidade da maioria das pessoas. Talvez porque vejam felicidade como ter um carro, roupa, sair com os amigos e transar regularmente. Coicindentemente, coisas visíveis para os outros. Se formos pelo conceito capitalista, felicidade é algo que se ostenta, mas para a maioria dos ricos não é. E muitos pensam que podem obtê-la às custas da infelicidade alheia. Se você pensa que felicidade é algo visível, você não a percebe. Felicidade se sente.

Oscilamos muito entre os momentos felizes e tristes. Nos tristes, refletimos. Por isso, eles são mais importantes. Dão o sentido em direção à felicidade. A vida é uma bateria de testes de superação e só é feliz quem consegue algo que deseja ou de que precisa a partir do risco de perder o que já tem. Não se mede a felicidade em tempo, mas em pesos de valores. Quando achamos que durou pouco, é porque perdemos mais do que ganhamos. Na vida, perde-se muito. E o errado é só dá valor ao que se perde depois da perda. "Se não foi, não era pra ser". Tal conformismo reflete o pensamento de quem não vê que ganhamos, integramos e perdemos.

O rompimento de uma amizade é uma das perdas mais dolorosas. Porque um amigo verdadeiro não pede nada em troca. Não vejo outro tipo de relação mais honesta. Uma vez, li que amigo é aquele que quer fazer parte da felicidade do outro, e, em troca, arrisca a sua própria. Sempre há quem doa mais de si do que o outro. E a mágoa é o sentimento que existe justamente quando o outro também não se arrisca. É sentir raiva mesmo gostando.

A vida foi feita pra ser partilhada e independe de conceitos e regras. Fazemos parte de um sistema, mas existimos independentemente. O que não nos dispensa de perceber o próximo e o conjunto. E a dor da perda é a resposta àquilo que era parte de nós e se foi. Por isso, que se deve sopesar o que se ganha com o que se pode perder. Isto é o que se chama valoração. O arrependimento é mera constatação da leviandade de quem se arriscou por pouco. Quando dói, dói mais. O registro é a memória, o resto é com o tempo.

Só quem já perdeu muito é capaz de dizer o que é felicidade. E quem se julga feliz a partir daquilo que tem, ainda não se deu conta do que perdeu.

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