sábado, 14 de junho de 2008

Sobre os albinos na Tanzânia


Ainda que trágico, não deixa de ser irônico, começar a semana falando de um suposto conflito racista Spike X Clint e terminar falando sobre conflito dos albinos Tanzânia. É histórica a reivindição dos negros de terem reparada a sua situação de escravidão no passado. Mesmo que povos de diversas etnias tenham sido escravizados, os negros perduraram além disso, verdade, foram até o apartheid na África no século passado. O que eles esquecem é que sempre existe quem sofra com a diferença e quando isso não vira uma bandeira em torno de votos, legitimação social a partir da arte, ou mesmo de socialismo barato, o problema sempre perdura, mas em silêncio daqueles que sofrem.

Nunca vi albino em filmes, nem em fotos de propaganda ou qualquer movimento que tenha por força reivindicar direitos a partir de diferenças. Como o negro, o albino também deveria ter um mercado próprio. Não sei se tem, então, o que eu tenho em relação a ele é ignorância. Não sei nada sobre albinos no mundo, exceto pelas definições. Não sei se se organizam, como vivem, se integram grupos sociais de reivindicações, mas, depois desta reportagem, vou procurar saber.

É alarmante que bárbarie deste tipo aconteça ainda. E como as organizações internacionais estão totalmente desmoralizadas e falidas. Inertes quando o dever delas é interceder perante seres humanos que sofrem perseguição e maus tratos. Elas existem porque os judeus foram perseguidos, torturados, humilhados e mortos; porque o Japão testava suas armas biológicas na China; porque os EUA jogaram bombas atômicas no Japão. O objetivo de existir entidades de representação de direitos humanos é justamente evitar que isso ocorra novamente. Ser humano tratado como animal, caçado, pra dar sorte. Não tem nome tamanha violência. É da mesma natureza que os outros fatos históricos, porém sem que tenha sido dada a menor relevância pra sociedade internacional. Como isso pode acontecer? E como pessoas que lutam pelo respeito e aceitação social presenciam isso e não fazem algo por conhecerem a violência de perto? Será que conhecem mesmo? Ou só querem ter sua marca histórica sempre lembrada?

Eu fiquei pensando nisso quando eu li a reportagem do Spike. Momentos históricos, marcantes na história das sociedades e glamourizados no cinema, são protagonizados por brancos. Ele acha que isso é uma exclusão e que a história deveria ser recontada. E como o movimento negro tem sua reivindicação baseada no destrato e humilhações de seus ancestrais, só isso é lembrado. Há poucas situações de glória que tenham negros como protagonistas e muito foco nas situações de vítimas. E movimento pressupõe ação. Pela subserviência do passado, exige-se a reparação, através do ativismo do presente. E chega a tal ponto que o próprio negro se sente inferiorizado e não se identifica com a própria raça. Como ele pode se sentir vencedor, se, recorrentemente, só é tratado como frágil e vítima?

Da mesma forma que eu, o Spike Lee não deve saber dos albinos na Tanzânia. Deve achar albino um exótico. Alguém sem a melanina que lhe excede . E como não está acima, ou ao seu lado, ele não precisa exercer sobre o mesmo sua intolerância. Esse é o problema dos grupos sociais: a intolerância. Não importa se manifestada sob a bárbárie, filmes ou críticas artísticas. Em se tratando de invalidação do direito de representação e manifestação de alguém, é sempre intolerância. E não há qualquer causa justificante pra ela.

No troco é que começa e se perpetua a violência.

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