domingo, 25 de maio de 2008

Sobre o Festival de Cannes


Começo pelos méritos, a surpresa do curta "Muro" ter ganhado o prêmio de melhor curta. Dirigido por um garoto, de 25 anos, que antes ganhara prêmio da Prefeitura de Recife. Como deveria ser em regra. Os filmes brasileiros, de maneira geral, não estavam no páreo. Houve críticas negativas, inclusive, uma delas, direcionadas ao fato de só serem produzidos filmes de apelo comercial. Isso jogado na cara do despreparado Rodrigo Santoro. É risível essa imagem que a imprensa faz do Santoro, como crítico e inteligente, quando ele não passa mais um que vai fazer ponta em filmes estrangeiros. Nem discuto mais o talento dele, mas, por favor, né? , ele não sabe nem falar sobre o papel dele. É tido como referência para atores brasileiros, e fala que "as árvores do Havaí, parecem usar anabolizantes". Na verdade, ele quis dizer isso, mas disse outra coisa, e ficou com fama de burro. Nem talento, nem inteligência. Vai ver por isso, por falta destas referências, Meirelles e Salles vão procurar atores no exterior. Além do dinheiro, claro.


O festival foi fraco , não havia nenhum filme com grande potencial. Não há o que se esperar muito de um festival que, entre os principais selecionados, estão "Kung Fu Panda" e "Indianna Jones". O que apenas demonstra que os brasileiros concorrendo não estavam tão abaixo assim. Mas isto é exceção pra eles, os europeus. O europeu Saramago ficou comovido pelo Meirelles, com o filme "Blindness". Mas este não comoveu, nem em Cannes, nem a crítica alemã, que foi bem ácida. "Não era um filme para Cannes". Ué!, então, por que estava lá?. E ninguém vai a um festival só pra competir, sejamos honestos. Matheus Nachtergaele que o diga. Foi defendido pelo Santoro, estava se achando, mas caiu do cavalo quando, lá, as pessoas abandonaram as sessões e, ainda, tomou uma crítica da Variety, que rotulou seu filme como clichê latino-americano. É uma injustiça aos filmes argentinos, chilenos e mexicanos, que já estão bem a frente dos brasileiros.

Fica difícil mesmo, pelo menos pra mim, dar créditos a filmes brasileiros. Indicaram-me "Estômago", mas não pretendo ver. As pessoas, que ainda têm esperanças no cinema brasileiro, acham que não se deve criticar. Deve-se incentivar, assistir e falar bem. Isso é a ética do otimista. Mas sejamos sinceros: filme nacional é uma merda! Deprecia o povo, só trata das maracutaias, putarias, pobreza, violência. Sempre de forma genérica, não retratando, em nada, aspectos particulares da cultura brasileira. Comercializam desgraça e de forma apelativa. Eles sim, são antinacionalistas, não eu.


*Foto do Walter Salles, junto ao Vinícius Oliveira, promovendo o"Linha de Passe" que também concorreu. Tenho uma opinião positiva, e simpática, a respeito do Walter Salles, não consigo pô-lo junto aos demais. Ele excepciona, mesmo que tenha apelo comercial. Não nego isso, mas ele faz cinema com mais propriedade. Parabéns,pelos nove muitos de aplausos e, também, pela "Palma de Ouro" dada á Sandra Corvelone.


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