quinta-feira, 15 de maio de 2008

Quanto vale um chinês?

Eu estou acompanhando as buscas, todas as notícias que tratam desse terremoto na China, e fico impressionado com as condições às quais os chineses são submetidos. O terremoto foi grave, mas 50 mil pessoas? Não foi só o terremoto.

Há muito tempo que se vem denunciando a precariedade das condições desse povo de 1 bilhãode habitantes que só pensam em sair. E, para isso, se submetem ás mais bárbaras humilhações e degradações. É muito triste. Estima-se que 50 mil pessoas em condições precaríssimas morreram. A vida chinesa, para o resto do mundo, parece que vale menos. Ninguém se indigna com isso. Matam chineses no Tibete, o mundo todo fica do lado do Dalai Lama. Não sei se isso é resquício do marcatismo, do ódio ao comunismo, que o vejam como representante da miséria. Vai saber o que se passa na cabeça das pessoas. Porque, se morre um italiano, um alemão, um espanhol, todo mundo se preocupa, porque eles estão se extinguindo, quanto à identidade. Tem mais italiano que nasceu fora da Itália do que dentro. Mas parece que as pessoas vêem que chinês morrer, não importa, porque não repercute estatisticamente. E isso é abominável.

Quando se fala da China, as pessoas lembram da muralha, dos (excelentes) filmes chineses, do comunismo com abertura ao mercado, do dono da pastelaria da esquina, mas se esquecem de que a maioria da população vive na miséria. Que é muita gente mesmo. Todo mundo fica rico na China, menos o chinês. Todo mundo se comove com Cuba, mas com a China não. Não é bem assim. Eu acho, seriamente, que isso deixou de ser um problema só deles há tempos. E o resto do mundo deveria se mostrar mais solícito e menos interessado em lucros e em suas próprias crises econômicas (e nas do vizinho).

E não é só hoje. Eu me lembro de quando estudei a Segunda Guerra, quando o Japão lançou bombas de armas químicas, biológicas- em fase de teste-, ninguém (autoridades internacionais) se comoveu convincentemente. A vida chinesa resiste, mas tem hora que não dá. Porque é ser humano e, por mais que ele busque superar limites, não dá pra sair sem seqüelas, ou manter-se forte a desgraças que quando não são consecultivas, são recorrentes. E pior: quando não vêm do ser humano, vêm da natureza.

A Alemanha tem que pedir desculpa aos judeus, Os EUA ao Japão, a Inglaterra à Irlanda, o Brasil ao Paraguai, etc. e à China? Todo mundo a quem se deveria pedir desculpas, se reergueu. Á China, nem desculpas, e os chineses vivem do jeito que vivem. A miséria dos chineses não comove - nem é menos lucrativa- como a africana. Pelo menos para comunidade internacional.
E parece que vem mais uma desgraça depois desse terremoto.

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