sexta-feira, 11 de março de 2011

Cisne Negro (Black Swan)


Não sei dizer se foi pela expectativa, por esperar muito do Aronofsky e da Natalie Portman, mas não achei esse filme grande coisa,não. Nem o Oscar dela, pra falar a verdade. Ela merecia muito mais pela atuação em Closer do que neste filme. Natalie parece frágil, vunerável. É fácil pra ela ser a Nina, coisa que não seria pra Mila Kunis. Acho que o Aronofsky errou a mão e a Natalie que salva o filme.

Primeiro, achei o filme um tanto machista. A personagem da Nina é uma bailarina determinada, obsessiva, tecnicamente perfeita, que almeja o papel principal do Lago do Cisne. Ela é escolhida após resistir
às investidas do diretor do espetáculo, heterossexual, vivido pelo Vincent Cassel, que quer instigá-la a ser o cisne negro. Ser o que ela não é: sedutora, liberal, invejosa, sexualizada, impulsiva e auto-destrutiva. Uma mulher que despertasse desejo nos homens, sempre predisposta ao sexo. No filme, quem é assim, é a Beth, interpretada pela Winona Rider.

Existe sempre o clichê de que mulher que se dedica ao trabalho, menos aos relacionamentos, é sempre remprimida sexualmente. A imagem da mãe dela representa isso: clichê da mãe invejosa, fracassada que quer realizar seus sonhos através da filha, disciplinando e dominando suas condutas. Como se faltasse personalidade à personagem. Em algumas cenas, fica evidenciada a consciência que ela tinha do papel da mãe na sua carreira, como, por exemplo, na forma como ela reage ao bolo comemorativo por ter conseguido o papel, a briga das duas, quando ela joga na cara da mãe a culpa que ela gostaria que carregasse por ter fracassado. É evidente que a opção da Nina por não ter relacionamentos se liga com o fato de não querer ter o mesmo final que sua mãe teve: engravidar e terminar a carreira. E que o diretor do balé a viu muito mais como um desafio por ela não ter cedido facilmente aos seus desejos, como outras bailarinas fizeram.

Segundo, o filme é uma busca por características que não são da personalidade da personagem, o que a faz criar uma outra. E aí seguem as alucinações, o lesbianismo (mais um indício do machismo), a reificação da mulher. A forma como a Nina vê Lily é completamente distorcida e o que se vê durante o filme é essa desconstrução de personalidade. O que Nina quer, é provar que é uma bailarina perfeita, realizar um sonho, anulando-se por conta disso. O sexo sem pudores é sempre visto, partindo da mulher como algo negro, assim como a realização da arte por ela. E, no filme, é uma forma de torná-la mais interessante.

A personagem da Natalie, dirigida pelo Michael Nichols, foi muito mais perfeita que a Nina do Aronofsky. A Alice de 2004 conseguia ser os dois extremos de forma muito mais convincente, a ponto de as pessoas terem dúvidas a respeito de qual delas era a verdadeira. Fez os outros atores comerem poeira. Só que a dignidade que sobrava na Alice, falta a Nina, porque personagens principais de filmes do Aronofsky são sempre decadentes e auto-destrutivos. E a dupla personalidade, a esquizofrenia, as drogas são sempre inerentes à sua obra, como uso da câmera trêmula sobre os ombros. Partindo dos filmes anteriores, vemos o quanto há de exercício de estilo neste filme e do quanto a Natalie se faz o diferencial. O Oscar para ela representa o quanto do filme se deve a ela.

E as pessoas falam que é um filme do tipo "ame ou odeie". Eu digo que é um filme do Aronofsky de sempre com uma Natalie Portman de sempre. Ele, humanizando personagens bem sucedidos, a partir da desconstrução, e ela, roubando cenas dos outros atores.


sábado, 8 de janeiro de 2011

Não Me Abandone Jamais (2010)


O filme trata da história de Kathy, Ruth e Tommy. São três amigos que viviam num internato, chamado Hailsham, e que são preparados para serem doadores de órgãos vitais. Eles vivem isolados do mundo, sempre dentro das fronteiras do lugar, cheio de hortas, jardins, lagos, praticam esportes, estudam, são bem educados. Vivem de forma digna, como crianças, inclusive, uma metáfora do filme é que eles praticam aulas de desenho e tem as galerias, onde eram escolhidos os melhores para exposição, com o objetivo de mostrar que eles têm alma. Hailsham era também a última referência na ética dispensada no tratamento aos doadores.

Conforme houve avanço da medicina e várias doenças tiveram cura, a expectativa de vida foi se aproximando dos 100 anos, e, acredita-se no filme, que, uma vez controlada a possibilidade de doenças, o ser humano poderia viver mais à medida que seus órgãos deficientes fossem trocados. E vários internatos como o de Hailsham foram criados, de forma a preparar as crianças para viverem de forma saudável até o dia de início do processo da doação, que se daria em até 4 etapas. Muitos morriam antes, mas, na quarta, a pessoa já vivia em estado vegetativo.

O que chama a atenção do filme, é a falta de humanidade dispensada aos doadores assim que eles saem do internato. Eles viram mercadoria, deixam de ser humanos aos olhos das outras pessoas, que, no filme, as definem como "pessoas sem alma". E, pelos olhos de Kathy, a narradora, e de seus amigos, vamos descobrindo a diferença dos alunos de Hailsham para os dos outros internatos, a partir dos 18 anos, quando eles se mudam para os "chalés" e a eles é dada a chance de conhecerem lugares próximos, namorar, e, depois, irem para os hospitais, após a notificação do centro de doação.

Nos chalés, é que os três confrontam seus sentimentos, o destino que traçaram para suas vidas e a ligação entre eles, prestes a ser rompida. Kathy e Ruth eram melhores amigas, mas a primeira amava Tommy e era correspondida. Com ciúmes da amiga, Ruth se aproxima e começa a namorar Tommy, o que magoa Kathy, que fica sozinha, mas não deixa de ser amiga dos dois.

Diante disso, quando tem uma chance de escolha, Kathy se inscreve para ser cuidadora de doadores, uma espécie de assistente, que lhes dá apoio e os prepara para as etapas de doação, acompanhando-os até a morte. Passam-se 10 anos, ela reecontra os amigos, já em estágio de doação, e tentam resolver as diferenças e, no caso de Kathy e Tommy, reviverem o amor que perderam. Kathy, então, passa a ser assistente de Tommy e visita Ruth com regularidade.

Apesar da resenha, o filme não tem uma história contada de forma clara. Não se sabe nada a repeito dos doadores, do porquê disso, da metodologia dos internatos*. Ele é focado apenas no drama e sofrimento de Kathy. Eles vão descobrindo a respeito da sua origem, mas são sempre boatos. Por terem vivido isolados até os 18 anos, eles têm uma conformação com o destino que os outros doadores não tinham. Eles acreditam serem clones, e que há um duplo deles vivendo uma vida normal. Passam a achar que o motivo das pessoas não os tratarem como iguais, seria o fato de eles serem clones de prostitutas, presidiários, assassinos, menos psicopatas (doença genética).

O mundo deles não permitia que eles tivessem uma compreensão maior e realmente entendessem o que se passava com eles. Você sabe exatamente o que você é e o porquê da sua existência quando sabe qual é o seu destino. No mundo normal, as pessoas diferenciam o tratamento quando sabem com quem estão lidando, principalmente, para colocá-los em seu lugar. A eles não foi ensinado isso, eles não lidavam com o lado mau do ser humano porque não o conheciam. Suas pretensões eram inocentes, como inscrever-se como assistente para poder dirigir carro.

O máximo que eles conseguem chegar próximo de esperança, se dá quando ficam sabendo da possibilidade de Tommy ter adiada sua terceira doação. Ele se torna um desenhista talentoso, mas não mostra sua obra a ninguém. Ele acreditava que, se fossem até a Diretora do internato, poderiam obter concessão, pois ele amava verdadeiramente Kathy desde criança, e isso ficaria demonstrado na arte. E, então, foi-lhe explicado que a galeria de arte existia, não para que fosse lida a alma dos alunos, mas para provar que eles tinham uma, porque não era assim que os outros o viam quando eles saiam.

Kathy se imagina vendo Tommy acenando pra ela após a sua morte. Aí, ela vê que se eles existem para salvar vidas de pessoas que são como eles, que continuarão mortais mas mesmo vivendo por mais tempo, talvez, eles também não compreendam se viveram o bastante.

*Imagine que essas crianças fossem aquelas desprezadas pelos pais, ou, que, por algum motivo, não foram abortadas, ou embriões não utilizados em inseminação artifical. Crianças sem direito à vida. Elas acreditam serem clones de pessoas marginais porque a elas era negado direito de manifestação. De algum outro ser, elas vieram.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu não tenho paciência pra Bergman e Godard. Pra mim, são uma espécie de parnasianismo do cinema. Meramente estéticos. E quando você discute cinema em comunidades e fóruns de cinema, sempre vai esbarrar com pessoas que simplesmente não sabem diferenciar um filme que é mero exercício de estilo de um filme bom. E isso é irritante, porque elas se contentam em apenas identificar o estilo, acham o filme ótimo, por causa do diretor e não conseguem analisar o principal, que é o argumento.

Um exemplo disso é o cinema espanhol, que todos identificam, principalmente, nas figuras de Almodóvar e Bigas Luna, diretores que lançaram os atores espanhóis mais famosos da atualidade: Penélope Cruz, Antonio Banderas, Javier Bardem, Victória Abril, Rossy de Palma, etc. E que o estilo pelo estilo não vale a pena, porque o cinema espanhol, que é top dos melhores cinemas da atualidade, só evoluiu depois que o Almodóvar achou que seus filmes já estavam se tornando cafonas e fez o “Tudo sobre minha Mãe” e, em seguida o “Fale com Ela” (auge dele).

E aí, você, meu caro, fã de Johnny Depp, de “Edward - mãos de Tesoura”, do Tim Burton, que também o dirigiu em “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”, “Sweeny Todd”, além dos remakes bosteadores de “A fantástica Fábrica de chocolate” e “Alice”, onde o inverso deve tê-lo envergonhado por ter feito filmes tão sofríveis como “Batman” e “Batman - Eternamente”, claro que você vai preferir o Coringa do Jack Nicholson e o Duas Caras do Tommy Lee Jones a Heath Ledger e Aaron Eckhart, respectivamente, porque você não consegue distinguir que os perfis dos personagens são completamente diferentes que a visão do Christopher Nolan é muito maior que a capacidade interpretativa dos atores. Você praticamente teve dois grandes atores fazendo papéis infantis. Tudo porque Tim Burton, nas suas limitações criativas, só consegue fazer filme “pseudo terror- infantil- noir”, onde o máximo que ele consegue é fisgar público com mentalidade adolescente, que posteriormente vira fã e transforma duas belas porcarias em filmes cults.

E é engraçado falar do Tim Burton, que você se lembra da Helena Boham Carter, que também atua como esposa do mesmo na vida real, sendo que o melhor filme dela foi um dos poucos que ele não dirigiu, Clube da Luta, conhecido também como aquele que enfatiza a discrepância de atuação de outro Edward – o Norton-, do Brad Pitt, que interpretam a mesma personagem. Filme do David Fincher, diretor que tem 100% de aproveitamento. Todos os filmes dele são bons. Em comparação há outro David, Lynch, que é o diretor mais superestimado da história do cinema, com seu filme MEDÍOCRE “Cidade dos Sonhos” que todo pseudo intelectual metido a Cult adora dizer que é o melhor filme da vida, filme que foi feito pra não ser entendido e ele entendeu. Diferente de um outro David, Cronemberg,um dos diretores mais inteligentes do cinema atual, que tem uma carreira extremamente alternativa. Fez dois filmes que, pra mim, tem valor científico, na área médica mesmo, tamanha a seriedade, sensibilidade e perfeição que ele aborda a esquizofrenia sob o ponto de vista do paciente (Mistérios e Paixões) e de terceiros (Spider).

Enfim, eu fiz essa ciranda toda pra tratar de estilo e talento de diretores e qualidade de filmes com o que falam os pseudo intelectuais de cinema, que me irritam tanto, porque invalidam qualquer discussão a respeito da temática dos filmes e acham que entendem mais os filmes que o próprio diretor. Têm o diretor como um gênio e muitas vezes ele não é.

Não esqueci que eu comecei tudo com o Almodóvar só pra terminar dizendo o que muita gente não sabe: o Almodóvar não tem formação acadêmica. Ou seja, a maior referência do cinema espanhol da atualidade era pobre e aprendeu na prática a fazer bons filmes, sendo copiado por um monte de gente que estudou pra copiá-lo quanto a estilo. E, muitas vezes, a carreira de um diretor é mais tomada pela forma como ele produz, na maior parte das vezes somente pra ganhar dinheiro, do que, propriamente pela qualidade da obra. Grandes diretores têm o currículo menos quantitativo que copiadores porque o público a que eles se destinam é o que pode apreciá-los e não necessariamente o que pode consumi-los.

Ficou superficial, eu sei, mas eu quero tratar mais de estilo e estética num próximo post, vou diferenciar os dois movimentos que eu mais critico: Nouvelle Vague e Dogma 95.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vendida




Eu não engulo esse não posicionamento da Marina. Pretensão de se ver como terceira via, porque ela teve que dizer porque saiu do PT. Ela se disse insatisfeita no partido, abandonou o cargo de ministra do meio ambiente porque o PAC violava preceitos do direito ambiental e o governo oferecia fortes resistências à sua política ambiental.. Depois, elogia a Dilma com a porcaria do plano de metas ambientais, que disse que é o mesmo da Marina. Tentativa imbecil de achar que quem votou na Marina são apenas os "preocupados com meio ambiente". Não são, não. A Dilma reduzir o eleitorado, eu entendo, mas a Marina? Ela é uma pessoa que abandonou o partido porque este se perdeu ideologicamente, e, o governo do seu "dono" foi de encontro a princípios dela. Mesmo governo que tem feito uma campanha desonesta e injusta, cheia de golpes baixos, como violação de sigilo fiscal, de dados e do direito liberdade de imprensa.

O que posso eu, como eleitor da Marina no primeiro turno, achar de uma candidata que se submete, abstendo-se de apoiar um dos candidatos, a uma decisão do partido? Existe uma preocupação ambiental, mas existe também ética. Isto a afastou do PT e do ministério. Era clarividente que ela não apoiaria a Dilma, e eu penso ter sido um erro não ter feito isso de forma mais firme, opositiva, mas não a impediu de ter 20% dos votos. Decepcionante. Por um milagre, a Dilma perdeu o primeiro turno, todas as pesquisas erraram, o que embasa as acusações contra a idoneidade das instituições de pesquisa.

O problema é que, por si, o Serra cresceu, ganhando apoio do eleitorado da Marina, antipetista, óbvio, mas também porque ele já era segunda opção. Eu, por exemplo, votei na Marina , mas sabia que segundo turno, seria Serra. Ela mereceu meu voto, num primeiro momento, pela forma ética que defendia suas idéias, pelo programa e por demonstrar preocupações à frente do tempo hoje, como já expliquei. Aí, uma semana depois de ela comunicar que está em cima do muro, vem a polícia federal dizer que o grupo de inteligência da campanha pestista está ligado à quebra daquelas informações. Como já havia sido feito com o FHC, que a Dilma deu aquela chamada no Agripino Maia, quando ele disse algo do tipo "se mente na ditadura, quanto mais num Estado Democrático". E os boçais nos blogs aplaudindo e achando lindo. Aula de democracia. Bando de trouxas. Eleitor do PT é burro mesmo. Não sabe o que é direito fundamental. Não sabe o que é constituição, porque se soubesse, ficaria chocado com esse governo, com os posicionamentos e tendências antidemocráticas da Dilma. E a Marina finge que está morta, que vai votar em branco, ficando alheia a isso.

Pois eu acho que a gente, que votou na Marina, tem que se indignar mesmo e votar 45. Fazer o que ela deveria ter feito, mas não teve coragem.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Os Famosos e os Duendes da Morte


Bom, eu sou um daqueles que têm preconceito em relação a cinema brasileiro. E exatamente por isso que eu evito falar sobre, embora até assista com certa regularidade. Tem dois excelentes que vi este ano e de um deles, falarei hoje, um premiado, gaúcho. Trata-se de um tema delicado pelo qual passam muitos adolescentes, eu inclusive ainda passo por isso: o não cabimento na própria comunidade. Fala do Mr. Tambourine que fica na internet, fã do Bob Dylan, escreve poesias e vê seu destino espelhado num “cara estranho” que namorava a irmã de um amigo seu, que eram como ele. O filme tem uma fotografia sensacional. Tem erros de continuidade, aquele aspecto de cinema amador, mas tem um argumento sensacional. Foi dirigido por um garoto, de 27 anos, que fez um filme que, sensação igual, só tive com Gus van Sant, com o sensacional "Elephant" e com o "Paranoid Park".


O filme tem uma narrativa lenta, atuações muito boas, com pessoas nativas, que nunca haviam tido experiência em atuar. Sem falar na protagonista que não fala no filme, Tuane Eggers, lindíssima. Ela está na lembrança do protagonista. Ela tinha um blog na internet, onde exibia fotos sozinha, com o namorado, foto-arte, etc.


O filme narra fatos cotidianos, onde o telespectador vai se transportando, se identificando com o personagem. Nesta cidade do interior, tem uma população descedente de alemães, isolados, e uma ponte que tem uma grande representatividade: liga aquela cidadezinha do Mr. Tambourine ao mundo, que as pessoas, por medo e comodismo, não ultrapassam. Segundo ele: "foda é imaginar que do outro lado (da ponte) não existe nada". Uma vida que passa sem grandes acontecimentos gera depressão em alguns e a sensação de impossibilidade de ser feliz. Muitos dos habitantes da cidade tentaram suicídio naquela ponte e as pessoas tomaram como normal. O protagonista não, ele queria sair de lá pra ver o show do Bob Dylan. Queria uma aventura. Seus amigos de verdade , as únicas pessoas que o incentivam a sair de lá, são virtuais. Falavam-lhe que "triste é não poder viver do jeito que se quer".


E tem a mãe dele, viúva, que conversa com a cadela e a trata como se fosse uma pessoa, que chama o filho pra visitar o pai morto . Ele não vê sentido, não compartilha daquela vida. E aí que ele se aproxima do cara, namorado da irmã do seu amigo e este cara mostra pra ele uma visão diferente de quem cruzou a ponte evoltou . Ele vê que as pessoas não conseguem se desvincular. A mãe dele fala num momento "depois que seu tempo passar, você vai se dar conta de que seu tempo é aqui".


Enfim, é um filme com várias referências, com argumento muito bem trabalhado, cinema autoral, requer paciência, um diretor estreante, que, na minha opinião, se mantiver esse nível, vai ser um dos maiores do país de todos os tempos. E o filme foi baseado no livro, do cara, referência do Mr. Tambourine: Ismael Caneppele. O diretor: Esmir Filho.


E eu termino com a frase da semana, do Guimarães Rosa, que serve muito pro filme "A gente pensa que vive por gosto, mas vive por obrigação"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E mudamos a história deste país


Resultado mais que positivo. Praticamente 20% pra uma primeira candidatura: Nada mal, Dona Marina! Adorei quando ela agradeceu aos “núcleos vivos da sociedade”. Que orgulho! Desestabilizou a votação, tornando-se ainda mais importante no segundo turno, porque Dilma perdeu no primeiro e está visivelmente frustrada. E todos sabemos que ela não soube fazer campanha. Não soube debater, manteve-se sempre distante cercada e afastada, blindando-se pela imagem do presidente. Ela não é uma candidata, mas uma propagandista. Temos aí umas 3 semanas pra acabar com a festa do oba oba. Eu sinceramente espero que esses 20% da Marina sigam a lógica de irem para o Serra. E veja ainda que teremos 9 estados disputando segundo turno com candidatos do PSDB, que não saiu por baixo, como sempre. Tivemos Alckmin e Anastasia arrematando em São Paulo e Minas que são estados aonde o Serra tende a dominar. Em Minas, deu Dilma, no Rio, deu Marina em segundo, com uma expressividade de 31,52% dos votos. Em vários estados, ela ficou em segundo. Nunca, na história deste país, vimos uma eleição que não fosse bipolarizada e me aparece uma terceira candidata, cujos eleitores podem desestabilizar a candidata do governo, favoritíssima em todas as pesquisas. Ver que todo empenho do Lula, com seus 85% de aprovação, não foram suficientes pra escrever a história, é sensacional. Por mim, já chega do dedo do Lula na história.

De volta pra guerra, Sr. Burns! É a sua segunda chance. Aprenda com erros anteriores e agradeça à Marina a sua salvação. O discurso pós apurações foi perfeito. Irretocável. Você é um candidato superior e agradeça seus votos do nordestebmas trabalhe no Rio Grande do Sul, valorize Minas Gerais e Rio de Janeiro porque o Nordeste é mesmo nossa África. Acho que o medo agora está com os petistas. Mal posso esperar pra ver os debates dos segundo turno. Não existe mais o Plínio pra fugir. Empenho, meu caro! OPOSIÇÃO!

domingo, 22 de agosto de 2010



Existem necessidades e pensamentos que você sabe que é preciso amadurecer anos ou décadas na mente do povo médio porque as pessoas só vêem através da necessidade, que não é apenas a falta, ausência, o imediato. E quando se fala em sustentabilidade, pronto, a gente sabe que é como falar de algo complicadíssimo, impossível de ser assimilado. O cara acha que tem que dar terra pra quem tem fome, incentivar a agricultura, a plantação de cana pra produção de etanol, mas ele nunca vai associar aquilo ao meio ambiente e à importância das polítcas PROGRAMÁTICAS de preservação. Ela, senhores, fala disso: o que não dá certo é o que não foi programado. Quando você teve aqueles apagões, nos tempos FHC e atual governo, foi falta de programação. Eles pensam errado. Eles acham que se preocupar com o ambiente não é importante, que a solução pro problema de energia é a construção de uma ANGRA 3 , termelétricas, biogás, que jogam CO2 na atmosfera. E estão, em nome da necessidade, querendo acabar com a licença prévia. E a nossa ex ministra do meio ambiente explica que não pode. Porque, pra se obter a licença prévia, primeiro, tem que se fazer um estudo de impacto ambiental. Você vai movimentar pessoas, animais, causar danos ao ambiente. Tudo isso com paciência, simplicidade e clareza de professora. O que ela quer que você veja é que há biomassa, as próprias hidrelétricas, entre outras fontes limpas de energia. Ela fala pra você que a biomassa, energia obtida a partir do bagaço da cana de açúcar, que poderia produzir o mesmo que várias Bello Monte, jogam no lixo Ela explicou porque ela critica a construção de Bello Monte, porque faltou planejamento e não viram os danos ambientais. E ainda precisamos ter um aproveitamento consciente, através de fontes confiáveis e seguras. Energia nuclear não é segura, mas isso não interessa para os demais candidatos. E , pela segunda vez, vemos uma eleição em que ex-petistas são os melhores candidatos. Cristovam Buarque foi nas últimas, e também Heloísa Helena, e agora, bem mais a frente, está a Marina.

E não é apenas a preocupação com meio ambiente e fontes de energia a preocupação dela. É o ponto de partida. Ela fala pra você o que ela fez enquanto ministra do meio ambiente, cargo que ela renunciou, porque o governo do plano de aceleração do crescimento implicaria em beneficiar particulares riquíssimos, inclusive dando terras a donos de frigoríficos na Amazônia. E ela vai pontuando para que a entendam, que ela não representa uma oposição pela oposição. Ela verbaliza que o critério dela seria outro. Ela pensa no interesse público e na ponderação. Ela não acha que tem que se dar terras aos pobres, tirando de particulares, mas, se for pra doar, que sejam para os pobres, não pra particulares. Isto é relativização. Dá pra perceber que, com os mesmos termos numa mesma frase, podemos dizer coisas completamente opostas? Que não adianta apenas isolar os termos em si condiderados, como se faz na política?

Mas como nós somos um povo domado, um povo prestes a voltar na Dilma, um povo que adora bolsa família e ser chamado de classe média, uma candidata que representa claramente uma INOVAÇÃO não tem chances.

Eu já vi entrevistas, eu já sei o que ela propõe, eu poderia falar horas sobre ela. Pra mim, o novo. Quero falar do Serra também, mas a Marina tem meu coração. Por enquanto, só tenho curiosidade nela. Estou maravilhado mesmo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os presidenciáveis

Eu não entendo como alguém pode defender a Dilma. É algo que , se não por motivos individuais, quando se fala de concursos, o que até entendo , mas da postura dela , como candidata, é uma das piores coisas já vista. Vide a entrevista dela ao casal Telejornal da Globo. A gente sabe porque o Serra começou na frente, por ser mais conhecido, e a Dilma, por ter sua imagem vinculada ao Lula. Só que, com propagandas políticas, as coisas vão mudar.

Fátima e Willian foram incisivos. Falaram da "fama" da dilma em maltratar ministros, dada pelo Lula, da sua inexperiência e partiram de críticas do governo Lula. É o ônus da vinculação, se por um lado, herda popularidade, por outro, vira meio de crítica. Chamaram-na de grossa e ela foi de fato grossa. Fora, que se diz preparada apenas tendo exercido cargos de confiança.

Bom, do debate, o que mais impressionou foi a participação da Marina. Ela é o contraponto da Dilma. Foi doce, educada. Respeitadora. Pra mim, liderou todo o debate. Ela fez o Serra apresentar o currículo, pra desqualificar a Dilma, ESPERTA!!!! A Dilma esquecia o nome das pessoas. Mal articulada, se prendia a temas que nao dominava, como discutir saúde com um médico. E lógico falando do CRACK. Parecia que ela era uma dessas pessoas bêbadas, que escutam o som da própria voz, e a atenção das pessoas, só vê como única missão fechar a frase. Não tinha nenhum pouco da boa colocação da Marina.

A participação do Plínio foi pífia. Dispensável. Estava ali pra representar uma oposição radical, fechada. E se vÊ claramente que é derrotado. A Marina bem que podia ter mais chances, mas sabemos bem que está difícil pra ela. Então, meu caso é Serra. ÓBVIO.

Eu não vislumbro essas eleições sem segundo turno. A impressão que tenho é de um alinhamento Marina-Serra. Pela cortesia recíproca de ambos no debate da BAND.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bárbarie é direito de punir!

Programa da Sonia Abraão, dia 16/04/2008:


Estão comentando a Sônia e o psiquiatra que disse que o homicídio é doloso, caso tenha mesmo sido a madrasta, porque ela nunca deixou a menina ligar para mãe biológica, já havia discutido várias vezes, segundo a testemunha,tinha um ciúme doentio da mãe da menina e se medicava com antidepressivos. “Daí o dolo”,diz o psiquiatra.

A Sônia Abraão disse que sempre achou que fora a madrasta porque não quebrou o ossinho do pescoço da criança. “Força física que um homem teria, por isso, sempre achei que tivesse sido uma mão feminina, coisa que está sendo concluída pela perícia”.

Pergunta do psiquiatra: “Se todos esses indícios que já ocorriam no final de semana, de não ligar pra mãe biológica, já mostrava que existia uma premeditação, já existia a raiva que poderia explodir e, aproveitando esse gancho, por que é mais fácil pra defesa negar o crime?”

Eles explicaram certo. Numa discussão, é culposo. Mesmo se eles tivessem confessado seria culposo. E é mais difícil alegar inocência.

A Sonia não acha mesmo que ela tivesse sido maltratada. A própria mãe disse que ela nunca reclamou disso. Ela sempre tratou a criança com carinho. Um quarto bem cuidado demanda carinho. ”Ela se iludia. Na verdade, ela queria que a menina NUNCA tivesse existido”.

Delegada Rose se dizendo ”operadora do Direito” - só se for Direito dos sem vergonha na cara!

A Sonia Abraão tem uma pasta que tem tudo de “bárbaro, cruel hediondo”, que tem a ver com o delegado Calixto, que vai esclarecer tudo! Pra ela, já há certeza. Mostra a pasta na mão, musiquinha no fundo...Agora, ela vai falar com a Vanessa Medina sobre a “plástica natural”.


Sonia :“cabe prisão preventiva.?”

Delegada Rose diz que a prisão preventiva é válida pela comoção social. Pra própria segurança deles.

Psiquiatra diz que eles vão pro “seguro”. Porque até entre os presos, eles sofreriam! Ahahahaha.

O terceiro comentarista disse que o homem , o delegado, é muito imparcial. O BRASIL QUER JUSTIÇA, PRECISA DE JUSTIÇA. E , com base no que eles têm, vão pedir prisão preventiva.

Ih!, a Sonia disse que o pai é ainda mais assassino. Pegou aquela criança,que ele pegou desde o primeiro dia que nasceu, que nem poderia estar morta- TUDO SUPOSTAMENTE, VIU?- e jogou como um saco de lixo? Ele bloqueou o psicológico? (eles combinaram no intervaloessa pergunta).

Psiquiatra rebate: “Ele pega e simplesmente ARREMESSA. Não sei como foi o convívio desse pai com a sociedade, houve alguma falha no desenvolvimento dessa pessoa, embora ele se oriente no tempo e no espaço- tudo supostamente-, as áreas do cérebro de uma pessoa que não sabe pedir desculpas, deixa as áreas do cérebro (que pedem) neutras. Isso que deve ter acontecido.com ele.”

Obs: o “supostamente, viu?” sempre vem antes de um disfemismo.

Sonia: “PRA MIM, ESSE SUSPEITO, terceira pessoa, já faleceu”.
Advogado comentarista complementou: “... e já tem missa de 16º dia!”

A Sonia diz que a ficha na cabeça da mãe está caindo por causa da saudade! Isso porque a mãe sumiu, né?Aí, ela lembra do sofrimento.

Ela disse que está chegando o momento da Cristiane depor – sensacionalismo!!!!-. E sexta-feria, às 10:30, ocorrerá o “enfrentamento” de Ana Jatobá e Alexandre Nardoni”. E sábado , às 16:30, será a vez de mãe e pai de Isabela se virem frente a frente.

Agora ela está criticando o comportamento do advogado de defesa ,que não quis falar nada, disse apenas “não”. “Num momento como esse, quando todo mundo pede explicação, ele não quer dar. Lamento, Dr. Fulano, mas isso não é comportamento que se tenha”.

Ahahah – estão se vangloriando da audiência do programa. Agradeceram o carinho e a audiência.

"Na pasta tem tudo de ruim, mas na cozinha tem tudo de bom, que é o molho de tomate, inclusive na versão light, da linha de molhos fugini."

“Vamos voltar pra nossa “sopa”, opsss..., de tão boa que ela é, fiquei com ela na cabeça. O piscólogo, Haroldo, explica isso...”.
Revirando os documentos antigos no meu computador, eu encontrei um Relatório que eu fiz no dia 16 de abril de 2008, pós morte de Isabela, nas primeiras investigações, quando ocorreram as prisões do pai e da amdrasta. São reproduções literais dos ocorridos no programa da "Sônia Abrão", pra que se verifique o quanto é insano o nosso jornalismo e o quanto a insanidade e a bárbárie fica incutida na cabeça das pessoas.