quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O discurso de Sarah Palin


Eu sempre fui a favor do aborto. E sempre achei que, exceto pela argumentação religiosa, tudo levava para esse caminho. Num país, onde cada vez mais, a mulher vai dominando o ambiente de trabalho, é maioria, não cabia defender uma atitude que a fizesse justamente agir em contrário. De uma gravidez, não se foge, a mulher tem o direito de dispor do seu corpo, e interromper uma gravidez, seria melhor do que ter uma criança mal cuidada. E olha que justamente quem não pode criar é que tem mais filhos.

E aí, que de uns tempos pra cá, eu fui amadurecendo essa idéia, passei a ver que não é só a gravidez que preocupa, mas a AIDS também. E as adolescentes já estão saindo de casa preparadas rpa tirarem a calcinha e pôr em prática as coreografias do funk. Resiltado: saem grávidas, com AIDS e não sabem quem são os pais. Daí, analisando esta situação, conclui-se que o ímpeto de se fazer sexo, contraindo AIDS, significa que nem a própria saúde é relevante na hora do sexo. E pior: a gravidez bão é indesejada, é impensada. Não é por falta de informação, nem que se pode usar DIU, já que não quer a camisinha. É correr risco mesmo. Num baile funk não se tem como levar camisinhas suficientes.

A gente olha pra sociedade americana: religiosa, moralista, defensora dos ideais da família e vê o exemplo da Sarah Palin. É a vice do McCain e é uma mulher pra dar presença. Tem filha adolescente, grávida e ela VAI ASSUMIR a criança, porque é contra o aborto. A intenção aqui é criar uma identificação com as mulheres da sociedade americana: mães jovens, mulheres com filhos que passaram pro este problema e, todos sabem que são maioria. O discurso dela, talvez, seja velho, mas há um ponto de congruência com o meu. Ela trata da responsabilidade, da independência do homem pra assumir. Que ele seja visto como irresponsável, abandonador , malandro, etc. Não importa durante aquela gestação o filho será sempre da mulher. Depois que nascer, DNA nele.

E aí que começa o meu ponto de vista. O aborto defendido como um ato que compete exclusivamente à mulher, atribui-lhe responsabilidade unilateral pela criança. Tudo bem, é altamente feminista uma mulher fazer o aborto, independentemente do consenstimento do homem. Mas, preferindo ter o filho e o homem não, ela não poderá exigir obrigações dele. Só é possível saber a paternidade depois que o bebê nasce. Por isso, a lei não poderia exigir o consentimento do homem para oaborto. Se a percepção dos defensores for: mulher opta pelo aborto, logo, não pode exigir alimentos do pai, perfeito. Não há discussão. Até porque a lei defende os direitos do nascituro, obrigando o pai a participar da formação do filho, justamente por defender a família.

É necessário observar que a responsabilidade é mais da mãe. Ela quem vai carregar o bebê na barriga nove meses. E ela quem não está se preocupando. A proibição do aborto remedia a situação, porque gera obrigações mútuas. Tanto o homem quanto à mulher são responsáveis. A legalização não. Vai remediar a gravidez acidental, sendo menos uma preocupação aos casais na hora do sexo. E, certamente, na hora, ninguém pensa em doença, mas pensa , se pensar, na gravidez.

E por aí, vai o discurso: na responsabilidade. É preciso previnir, se acontecer, assumir. Um aborto em massa, por mães arrependidas, gera, em países populosos e jovens um caos. Gera responsabilidades sobre o Estado, médicos obstetras, uma movimentação tamanha pra resolução de um problema evitável. E todos sabem que uma mulher em condições de fazer um aborto, ela o fará. E uma vez que a gravidez não resulte de um namoro, algo sério, onde realmente possa ser verificado o acidente, não há como defender o aborto, principalmente se a mulher pega AIDS. Por isso, acredito que a política pública deve ser sempre feita na prevenção. E não no sexo sem responsabilidade e cuidado.

UPDATE: Sobre esse lance de aborto, ela também revelou - ou foi noticiado- que ela tem um filho com Down e um dos motivos de ela ser contra é esse: algumas deficiências e malformações poderiam ser detectadas na gravidez. A mãe, então, poderia abortar pra ter filhos perfeitos.

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