segunda-feira, 21 de julho de 2008

Igualdade e proibição do aborto

É fácil defender o discurso feminista pró-legalização do aborto. Dizer que a mulher sempre foi reprimida e a ela imposto o conceito de família, de que ela é responsável e tem que se submeter a isso. E a mulher, que defende a igualdade, não aceita tal submissão. Há o direito de dispor sobre o corpo que é o limite mínimo da liberdade e a sua função na sociedade, além de todas as outras que o homem exerce, também é ( enão só) ter filhos. A espécie continuaria com ela e o homem é secundário, comprovadamente pelas evoluções científicas.

De fato, o homem exerce papel secundário na sociedade. E, mesmo com todo avanço científico, é impossível a ele gerar um feto. E quando há relação sexual com riscos, a gravidez é a conseqüência e, com ela, vem as obrigações aos dois. O aborto é uma forma da mulher se isentar de tal obrigação. Não assumir os riscos. É o "não quero, o corpo é meu, eu vou abortar". Mas do outro lado, existe o homem, igualmente responsável, que fica submetido à decisão da mulher. A sua opinião não é relevante pra que a gestação continue, mas a obrigação gerada a partir do parto é inegociável. Se a mulher quiser o filho, ele não, ele vai ter que assumir. Simples assim: por somente a mulher poder gerar a criança, apenas ela decide direito do feto e deveres do homem.


Pra mulher, o direito à vida do feto não existe, mas depois de nascido, ela nem mesmo questiona se deve ou não exigir alimentos do homem. Desconsidera como vida o que ela está gerando, pra defender o aborto, mas depois de nascido, ela usa pra exigir alimentos.O feto possível nascituro, tem direito a um pai e ele tem que arcar com os custos da sua educação. Há, então, desigualdade entre homem e mulher quando o referencial é a relação e quando o referencial é o feto.


Da forma como está, proíbido o aborto, ambos são igualmente responsáveis. Somente se o homem pudesse também gerar também, aí sim, a igualdade seria um fato e o aborto seria fruto de uma decisão conjunta. Se o homem quisesse o filho, ele geraria e vice-versa. A proibição discrimina a mulher. Ela cede quanto a isso: a sua vontade de não querer ter filho. Relativiza ao fato de o homem não poder gerar e não ficar refém do que ela decidir. E também, protege uma vida em potencial - argumento que existe, mas não precisa ser tocado aqui-.

Homem e mulher são diferentes biologicamente e iguais juridicamente. Esta foi a reivindicação feminista. A príncípio, pelo menos.

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